Começar a conhecer a Terapia Comportamental Dialética, conhecida como DBT, pode despertar duas sensações ao mesmo tempo: esperança e confusão. Esperança porque a DBT oferece caminhos práticos para lidar com emoções intensas, crises, impulsos, relacionamentos difíceis e sofrimento emocional. Confusão porque, logo no início, a pessoa encontra muitos termos novos: mindfulness, mente sábia, aceitação radical, ação oposta, análise em cadeia, validação, tolerância ao mal-estar, efetividade interpessoal, modelo biossocial, dialética. Parece muita coisa para aprender de uma vez.
A boa notícia é que a DBT não precisa ser entendida toda de uma vez. Na verdade, os próprios manuais de habilidades mostram que o aprendizado é organizado por etapas, com orientação, metas, diretrizes, prática, fichas e exercícios. O treinamento de habilidades é estruturado para ajudar a pessoa a aprender, fortalecer e levar as habilidades para a vida real. Na apresentação brasileira do manual para terapeutas, esse processo aparece como aquisição, fortalecimento e generalização de habilidades, com os quatro grandes grupos: mindfulness, efetividade interpessoal, regulação emocional e tolerância ao mal-estar. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
Isso significa que você não precisa dominar tudo hoje. Você precisa começar por algum lugar. E, para muitas pessoas, o melhor começo não é tentar decorar todas as habilidades, mas entender a lógica da DBT: aceitar a realidade do momento, aprender novas respostas e construir uma vida que valha a pena ser vivida.
Comece entendendo o objetivo da DBT
A DBT não existe apenas para “controlar emoções”. Essa frase é muito pequena para explicar a abordagem. A DBT busca ajudar pessoas a viverem de forma mais efetiva. Isso inclui reduzir comportamentos perigosos ou destrutivos, melhorar relacionamentos, atravessar crises sem piorar a situação, entender emoções, desenvolver autocuidado e agir de acordo com valores.
Muitas pessoas chegam à DBT porque sentem que suas emoções comandam tudo. Quando a raiva vem, gritam. Quando o medo vem, imploram, fogem ou controlam. Quando a vergonha vem, se escondem ou se atacam. Quando a tristeza vem, desistem. Quando a ansiedade vem, evitam. Depois, vem arrependimento, culpa, vergonha e a sensação de estar sempre recomeçando do zero.
A DBT olha para esse ciclo sem desprezar a dor e sem passar a mão na cabeça de comportamentos que machucam. Ela ensina uma postura muito importante: sua emoção faz sentido dentro de algum contexto, e ainda assim talvez você precise agir de outro jeito. Essa é a união entre aceitação e mudança.
Para quem está começando, essa ideia já é um grande passo. Você não precisa se odiar para mudar. Também não precisa justificar tudo o que faz só porque está sofrendo. É possível se compreender e se responsabilizar. É possível validar a dor e praticar novas respostas.
Não tente aprender tudo ao mesmo tempo
Um erro comum no começo é querer estudar todas as habilidades de uma vez. A pessoa lê sobre mindfulness, depois sobre aceitação radical, depois sobre DEAR MAN, depois sobre TIP, depois sobre ação oposta, depois sobre análise em cadeia. Em pouco tempo, sente que está diante de um enorme manual impossível de aplicar.
A própria organização dos materiais de DBT mostra que o aprendizado pode ser dividido. O manual do terapeuta descreve que as habilidades são agrupadas em módulos, com fichas específicas para cada habilidade e fichas de tarefas para registrar a prática. Também lembra que o material não precisa ser absorvido de uma só vez: as notas e instruções são organizadas por habilidade, permitindo escolher o que será trabalhado em cada momento. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
Para quem está começando, isso é um alívio. Você pode pensar na DBT como uma caixa de ferramentas. Ninguém precisa usar todas as ferramentas ao mesmo tempo. Se há um incêndio emocional, talvez você precise primeiro de tolerância ao mal-estar. Se há muita confusão sobre o que sente, talvez precise de regulação emocional. Se os conflitos estão destruindo relações, talvez precise de efetividade interpessoal. Se sua mente está sempre acelerada e julgadora, talvez precise começar por mindfulness.
O importante é não transformar a DBT em mais uma cobrança. Ela não deve virar “agora eu tenho que ser perfeito usando habilidades”. O começo é mais simples: perceber o que acontece, escolher uma habilidade pequena e praticar.
O primeiro passo: observar sem se julgar
Para muitos iniciantes, o primeiro passo mais útil é observar. Antes de tentar mudar tudo, observe o que acontece com você. Em DBT, mindfulness é a base porque ajuda a pessoa a prestar atenção ao momento presente, perceber pensamentos, emoções, sensações e impulsos sem se fundir completamente com eles.
Observar não é analisar demais. Não é se criticar. Não é procurar culpa. É notar. “Estou com raiva.” “Meu peito está apertado.” “Estou tendo o pensamento de que vou ser abandonado.” “Tenho vontade de mandar muitas mensagens.” “Minha respiração ficou curta.” “Estou julgando minha tristeza.” “Quero fugir da conversa.”
Esse tipo de observação cria uma pequena distância entre você e a experiência. Em vez de ser engolido pela emoção, você começa a enxergá-la. Isso não faz a emoção desaparecer imediatamente, mas muda sua relação com ela. Você deixa de ser apenas a raiva, o medo ou a vergonha. Passa a ser alguém que percebe raiva, medo ou vergonha.
No começo, essa distância pode durar poucos segundos. Mesmo assim, já importa. Uma pausa pequena pode impedir uma resposta impulsiva. Uma respiração antes de responder pode mudar o rumo de uma conversa. Um pensamento observado como pensamento pode perder um pouco da força de verdade absoluta.
O segundo passo: conhecer a mente sábia
A mente sábia é uma das ideias mais importantes da DBT para iniciantes. Ela ajuda a entender que existem diferentes estados internos. A mente emocional aparece quando as emoções comandam tudo. A mente racional aparece quando a pessoa tenta funcionar apenas por lógica, fatos e análise. A mente sábia é a integração das duas.
A mente emocional não é inimiga. Ela mostra o que importa, dá energia, sinaliza necessidades e cria conexão. Mas, quando está no comando absoluto, pode levar a impulsos que pioram a situação. A mente racional também não é inimiga. Ela ajuda a planejar, pensar em consequências e organizar decisões. Mas, se fica sozinha, pode invalidar emoções e tratar a vida como se sentimentos não importassem.
A mente sábia escuta emoção e razão. Ela pergunta: “o que estou sentindo?” e também “quais são os fatos?”. Pergunta: “o que essa emoção está tentando me dizer?” e também “qual ação vai me aproximar da vida que quero construir?”.
Para começar, você pode praticar uma pergunta simples: “o que minha mente sábia diria agora?”. Talvez a resposta não venha claramente. Tudo bem. A prática começa com a pausa. Se você está prestes a mandar uma mensagem impulsiva, pergunte: “minha mente sábia enviaria isso agora?”. Se está prestes a desistir de algo importante, pergunte: “minha mente sábia quer desistir ou quer descansar antes de decidir?”. Se está tomado por vergonha, pergunte: “minha mente sábia diria que eu sou um fracasso ou que cometi um erro e posso reparar?”.
O terceiro passo: entender que habilidades precisam ser praticadas
DBT não é apenas leitura. É prática. Essa talvez seja uma das partes mais importantes para quem está começando. Muitas pessoas leem sobre uma habilidade, acham interessante, tentam uma vez em uma crise muito forte e concluem que não funciona. Mas habilidades emocionais são como habilidades físicas: precisam de repetição.
Não se aprende a nadar apenas lendo sobre natação. Não se aprende a tocar violão lendo uma explicação sobre acordes. Não se aprende a dirigir apenas vendo outra pessoa dirigir. Da mesma forma, não se aprende regulação emocional apenas entendendo o conceito. É preciso praticar quando a emoção está baixa, para ter mais chance de usar quando a emoção estiver alta.
O manual para terapeutas enfatiza que o treinamento de habilidades envolve aquisição, fortalecimento e generalização. Aquisição é aprender a habilidade. Fortalecimento é repetir até ela ficar mais acessível. Generalização é conseguir usar na vida real, fora do ambiente de aprendizagem. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
Para iniciantes, isso significa: escolha uma habilidade simples e pratique todos os dias por alguns minutos. Não espere a crise. Treine antes. A crise é como uma prova difícil; se você nunca estudou, fica muito mais complicado lembrar do que fazer.
O quarto passo: escolher por onde começar
A DBT tem quatro grandes grupos de habilidades. Cada grupo ajuda em um tipo de dificuldade. Conhecer esses grupos ajuda você a escolher seu ponto de partida.
Mindfulness
Mindfulness ajuda você a prestar atenção ao presente, observar pensamentos e emoções, descrever o que acontece e participar da vida com mais consciência. Também ensina a fazer uma coisa de cada vez, praticar uma postura não julgadora e ser efetivo. Nos materiais de DBT, mindfulness aparece como base e é repetido ao longo dos módulos, justamente porque ajuda a sustentar as outras habilidades. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
Comece por mindfulness se você sente que sua mente vive acelerada, se julga muito, acredita em todos os pensamentos, age no automático ou percebe tarde demais que entrou em crise.
Regulação emocional
Regulação emocional ajuda você a entender, nomear e influenciar emoções. Inclui observar emoções, verificar os fatos, praticar ação oposta, resolver problemas, reduzir vulnerabilidades e construir experiências positivas. Na segunda edição do manual, as habilidades de regulação emocional foram ampliadas, incluindo verificação dos fatos, solução de problemas, ação oposta, ABC SABER, acumular emoções positivas, valores, antecipação, sono e manejo de emoções extremas. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
Comece por regulação emocional se você sente que as emoções sobem rápido, ficam fortes demais, demoram para passar ou levam você a comportamentos dos quais se arrepende.
Tolerância ao mal-estar
Tolerância ao mal-estar ajuda quando a crise já está acontecendo e o objetivo principal é não piorar a situação. Inclui STOP, prós e contras, TIP, distração saudável, autoacalmar-se, melhorar o momento, aceitação radical, redirecionar a mente e disposição. O manual apresenta as habilidades de tolerância ao mal-estar como recursos para sobreviver a crises, administrar emoções extremas e aceitar a realidade quando ela não pode ser mudada imediatamente. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
Comece por tolerância ao mal-estar se você costuma agir por impulso em momentos de dor, tem comportamentos de risco, manda mensagens impulsivas, se machuca, explode, usa substâncias para aliviar ou sente que precisa fazer algo imediatamente para a emoção parar.
Efetividade interpessoal
Efetividade interpessoal ajuda você a pedir o que precisa, dizer não, preservar relacionamentos e manter o autorrespeito. Inclui habilidades como DEAR MAN, GIVE, FAST, validação, construção de relacionamentos, término de relações destrutivas e caminho do meio nas relações. O manual organiza essas habilidades para ajudar a pessoa a alcançar objetivos, cuidar dos vínculos e não se abandonar em conversas difíceis. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
Comece por efetividade interpessoal se suas maiores crises acontecem em relacionamentos, se você tem dificuldade para pedir, dizer não, lidar com rejeição, manter limites, validar ou se comunicar sem agressividade.
O quinto passo: aprender a diferença entre dor e crise
Para quem está começando, é útil diferenciar dor de crise. Dor é uma experiência difícil: tristeza, medo, vergonha, perda, frustração, solidão. Crise é quando essa dor vem acompanhada de urgência e risco de agir de forma que piore a situação.
Nem toda dor é crise. Às vezes, a habilidade necessária é sentir a emoção, observar, validar, resolver um problema ou pedir apoio. Mas, quando há risco de se machucar, machucar alguém, tomar uma decisão impulsiva grave, usar substâncias de modo perigoso, dirigir em desespero, enviar mensagens destrutivas ou abandonar algo importante no pico emocional, o foco precisa mudar: primeiro, sobreviver à crise.
Nesses momentos, não é hora de resolver a vida inteira. É hora de passar pelos próximos minutos sem piorar. Essa ideia é muito libertadora. Muitas pessoas tentam resolver problemas complexos no auge da emoção. A DBT ensina: primeiro, reduza o risco. Depois, quando a mente estiver mais clara, volte para solução de problemas.
O sexto passo: trocar julgamento por descrição
Uma das práticas mais simples e mais profundas para iniciantes é trocar julgamento por descrição. Julgamento costuma soar assim: “sou ridículo”, “sou um fracasso”, “essa pessoa é horrível”, “minha vida é uma droga”, “eu sempre estrago tudo”, “ninguém presta”, “não tenho jeito”.
Descrição soa diferente: “estou sentindo vergonha”, “cometi um erro”, “essa pessoa falou algo que me machucou”, “estou passando por um momento difícil”, “tive uma reação impulsiva”, “estou com medo de confiar”, “preciso de ajuda”.
O julgamento aumenta a emoção e fecha caminhos. A descrição ajuda a enxergar o que pode ser feito. Se digo “sou um fracasso”, não há muito a fazer além de sofrer. Se digo “errei nessa conversa e estou com vergonha”, posso reparar, aprender e praticar. Se digo “ninguém se importa comigo”, posso entrar em desespero. Se digo “estou me sentindo sozinho e preciso de contato”, posso pedir apoio de forma mais clara.
Essa troca é uma porta de entrada para várias habilidades. Mindfulness usa descrição. Regulação emocional usa descrição. Análise em cadeia usa descrição. Efetividade interpessoal também depende de descrever fatos sem atacar.
O sétimo passo: aprender a verificar os fatos
Muitas emoções são disparadas não apenas pelos eventos, mas pelas interpretações que fazemos dos eventos. Isso não significa que a emoção seja falsa. Significa que a mente pode completar lacunas de forma dolorosa.
Alguém demora para responder, e a mente diz: “não sou importante”. Uma pessoa faz uma crítica, e a mente diz: “sou incompetente”. Um amigo cancela um encontro, e a mente diz: “não quer mais minha amizade”. Uma expressão facial muda, e a mente diz: “fiz algo errado”.
A habilidade de verificar os fatos ensina a perguntar: qual foi o evento real? O que eu observei pelos sentidos? Que interpretações estou fazendo? Existe outra explicação? Estou presumindo ameaça? Qual é a probabilidade real? Minha emoção e sua intensidade combinam com os fatos?
Para iniciantes, uma versão simples é esta: antes de agir, pergunte “o que eu sei de fato e o que estou imaginando?”. Essa pergunta pode evitar muitos comportamentos impulsivos. Talvez a emoção continue forte, mas você ganha mais chance de escolher.
O oitavo passo: criar um plano para momentos difíceis
Quem está começando na DBT não deve esperar a crise para decidir o que fazer. Crises emocionais reduzem a clareza. Por isso, é melhor preparar um plano simples antes.
Um plano inicial pode ter cinco partes:
- Meus sinais de alerta: o que acontece no meu corpo, nos meus pensamentos e nos meus impulsos quando estou começando a entrar em crise?
- Minhas vulnerabilidades: sono ruim, fome, dor, excesso de trabalho, álcool, isolamento, conflito, lembranças difíceis.
- Minhas primeiras habilidades: respirar, sair do ambiente, lavar o rosto, caminhar, observar pensamentos, escrever sem enviar, usar STOP.
- Pessoas e serviços de apoio: terapeuta, familiar, amigo, emergência, linhas de apoio emocional.
- O que não devo fazer no pico da emoção: terminar relações, enviar mensagens agressivas, tomar decisões financeiras, usar substâncias, me machucar, dirigir em desespero.
Esse plano não precisa ser perfeito. Precisa ser acessível. Em crise, a pessoa não vai querer ler páginas e páginas. Um plano simples, guardado no celular ou impresso, pode ajudar a lembrar que existem opções.
O nono passo: buscar ajuda quando necessário
DBT pode ser estudada por conta própria como conhecimento, mas casos de sofrimento intenso, risco de autolesão, pensamentos suicidas, uso perigoso de substâncias, agressividade, trauma ou crises frequentes precisam de acompanhamento profissional. A DBT foi desenvolvida como tratamento estruturado, e sua forma standard costuma envolver terapia individual, grupo de habilidades, coaching entre sessões e equipe de consultoria. O manual do terapeuta descreve a DBT standard como composta por terapia individual, treinamento de habilidades em grupo, coaching por telefone e equipe de consultoria terapêutica. :contentReference[oaicite:7]{index=7}
Isso não quer dizer que toda pessoa terá acesso exatamente a esse formato. Mas mostra algo importante: a DBT não foi pensada apenas como leitura. Ela envolve apoio, prática, revisão, orientação e aplicação das habilidades na vida real.
Se houver risco imediato de suicídio ou autoagressão, procure um serviço de emergência, acione pessoas de confiança ou ligue para serviços de apoio emocional da sua região. No Brasil, o CVV atende pelo telefone 188. Buscar ajuda é uma habilidade, não uma fraqueza.
O décimo passo: medir progresso de forma justa
Muitas pessoas desistem porque medem progresso de um jeito injusto. Pensam que só melhoraram se nunca mais tiverem crise, nunca mais sentirem raiva, nunca mais chorarem, nunca mais se sentirem inseguras. Isso não é realista.
Na DBT, progresso pode ser pequeno e ainda assim importante. Se antes você gritava durante uma hora e agora pediu pausa depois de dez minutos, houve progresso. Se antes você se machucava toda vez que sentia vergonha e agora conseguiu pedir ajuda uma vez, houve progresso. Se antes acreditava em todo pensamento doloroso e agora conseguiu perguntar “isso é fato ou interpretação?”, houve progresso. Se antes desistia do tratamento depois de uma recaída e agora voltou para a próxima sessão, houve progresso.
Progresso não é perfeição. Progresso é aumentar a habilidade de escolher. É reduzir danos. É voltar mais rápido. É reparar melhor. É perceber antes. É pedir ajuda mais cedo. É construir uma vida mais possível, mesmo que aos poucos.
Um roteiro simples para os primeiros sete dias
Se você está começando agora, pode usar um roteiro simples de uma semana. Ele não substitui tratamento, mas ajuda a iniciar a prática.
Dia 1: observe suas emoções
Anote três emoções do dia. Não precisa explicar tudo. Apenas nomeie: raiva, medo, tristeza, vergonha, culpa, ansiedade, alegria, alívio, solidão.
Dia 2: observe o corpo
Quando uma emoção aparecer, note onde ela aparece no corpo. Peito, garganta, estômago, rosto, mãos, respiração, ombros.
Dia 3: observe pensamentos
Escreva um pensamento difícil usando a frase: “estou tendo o pensamento de que…”. Isso ajuda a lembrar que pensamento não é necessariamente fato.
Dia 4: troque julgamento por descrição
Escolha um julgamento e transforme em descrição. “Sou um desastre” pode virar “estou frustrado porque cometi um erro”.
Dia 5: pratique uma pausa
Antes de responder a algo emocionalmente difícil, espere alguns minutos. Respire, beba água, caminhe ou escreva antes de agir.
Dia 6: escolha uma habilidade de crise
Escolha uma habilidade simples para momentos de urgência: STOP, água fria, caminhar, ligar para alguém seguro, escrever sem enviar, afastar-se do ambiente por alguns minutos.
Dia 7: revise sem se julgar
Pergunte: o que percebi sobre mim? Qual habilidade parece mais necessária agora? O que posso praticar na próxima semana?
O começo real é pequeno
Muitas pessoas querem começar a DBT do jeito perfeito. Querem fazer todas as fichas, entender todos os módulos, usar todas as habilidades e nunca mais errar. Esse desejo é compreensível, mas pode virar mais uma fonte de pressão.
O começo real é menor e mais humano. É perceber uma emoção antes de agir. É respirar uma vez. É nomear o que sente. É pedir ajuda. É não enviar uma mensagem no auge da raiva. É validar sua dor sem se destruir. É tentar de novo depois de falhar. É lembrar que habilidades são aprendidas, não nascem prontas.
A DBT não pede que você se transforme em outra pessoa da noite para o dia. Ela convida você a construir novas respostas, uma por vez. Com prática, apoio e paciência, aquilo que hoje parece impossível pode começar a ficar mais acessível.
Se você está começando, comece por aqui: observe, nomeie, pause, pratique. Não tente carregar o manual inteiro nas costas. Escolha uma habilidade. Use-a. Revise. Tente de novo. É assim que uma vida mais habilidosa começa.
Continue aprendendo
- O que é DBT e como ela pode ajudar na vida real
- Por que a DBT fala em construir uma vida que vale a pena ser vivida
- Aceitação e mudança: o equilíbrio que torna a DBT diferente
- O que significa pensar de forma dialética no dia a dia
- Modelo biossocial: por que algumas pessoas sentem emoções tão intensas
- Desregulação emocional: quando sentir se torna difícil de controlar
- Como funciona um tratamento em DBT
- Terapia individual, grupo de habilidades, coaching e equipe de consulta
- Mitos comuns sobre DBT que confundem quem procura ajuda
- Mindfulness na DBT: aprender a prestar atenção sem se julgar
- Mente sábia: como equilibrar emoção e razão
- Mente emocional: quando a emoção assume o comando
- Mente racional: quando pensar demais também pode atrapalhar
- Observar, descrever e participar: as habilidades básicas de mindfulness
- Como praticar uma postura não julgadora consigo mesmo
- Fazer uma coisa de cada vez: um antídoto para a mente acelerada
- Ser efetivo: fazer o que funciona, não o que o impulso manda
- Mindfulness dos pensamentos: como não acreditar em tudo que a mente diz
- Mindfulness das emoções: sentir sem fugir e sem explodir
- Regulação emocional: como entender melhor o que você sente
- Como nomear emoções com mais clareza
- Emoções primárias e secundárias: por que uma dor vira outra
- Verificar os fatos: uma habilidade para emoções intensas
- Ação oposta: quando agir diferente muda a emoção
- Solução de problemas na DBT: quando a emoção pede uma atitude prática
- ABC SABER: como reduzir a vulnerabilidade emocional
- Construir maestria: pequenas conquistas que fortalecem a autoestima
- Acumular emoções positivas: como criar uma vida menos pesada
- Como se preparar para situações difíceis antes que elas aconteçam
- Tolerância ao mal-estar: atravessar crises sem piorar a situação
- Habilidade STOP: pare antes de agir no impulso
- Prós e contras: como tomar decisões em momentos de crise
- Habilidades TIP: como acalmar o corpo para acalmar a mente
- Distração saudável: quando mudar o foco ajuda a sobreviver à crise
- Autoacalmar-se pelos sentidos: usar o corpo como aliado
- Melhorar o momento: pequenos recursos para não afundar na dor
- Aceitação radical: parar de brigar com a realidade para poder agir melhor
- Disposição: escolher fazer o que ajuda, mesmo sem vontade
- Como criar um plano pessoal para momentos de crise emocional
- Efetividade interpessoal: como se relacionar melhor sem se abandonar
- DEAR MAN: como pedir o que você precisa com clareza
- GIVE: como cuidar dos relacionamentos com mais validação
- FAST: como manter o autorrespeito em conversas difíceis
- Validação: como reconhecer a dor sem concordar com tudo
- Como dizer não sem culpa e sem agressividade
- Como lidar com medo de rejeição e abandono
- Relacionamentos intensos: como reduzir brigas, explosões e afastamentos
- Limites saudáveis: proteger vínculos sem se perder neles
- DBT para famílias: como apoiar alguém com emoções intensas
Referências bibliográficas
- Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
- Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o paciente. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- Koerner, Kelly. Aplicando a Terapia Comportamental Dialética: um guia prático. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2020.
- Galen, Gillian; Aguirre, Blaise. DBT: Terapia Comportamental Dialética Para Leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2022.
- Van Dijk, Sheri. Não deixe as emoções comandarem sua vida: habilidades de DBT para adolescentes. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2025.
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DBT, terapia comportamental dialética, DBT para iniciantes, habilidades DBT, mindfulness, mente sábia, regulação emocional, tolerância ao mal-estar, efetividade interpessoal, aceitação radical, validação emocional, desregulação emocional, emoções intensas, habilidade STOP, habilidades TIP, ação oposta, verificar os fatos, DEAR MAN, GIVE, FAST, saúde mental, autocuidado emocional, Marsha Linehan, vida que vale a pena ser vivida, terapia baseada em evidências