GIVE é uma habilidade da DBT, a Terapia Comportamental Dialética, usada para cuidar dos relacionamentos durante conversas importantes. Ela faz parte das habilidades de efetividade interpessoal e ajuda quando você precisa pedir algo, dizer não, discordar, colocar limite ou conversar sobre um problema sem destruir o vínculo com a outra pessoa.

Muitas dificuldades nos relacionamentos não acontecem apenas por causa do assunto discutido, mas pela forma como a conversa acontece. Às vezes, a pessoa tem uma necessidade legítima, mas fala em tom agressivo. Às vezes, tem razão em colocar um limite, mas usa ameaça, ironia ou desprezo. Às vezes, quer ser ouvida, mas não escuta nada do outro lado. Às vezes, tenta resolver rápido demais e pula a parte mais importante: validar a experiência da outra pessoa.

A habilidade GIVE ajuda a manter ou melhorar o relacionamento enquanto você tenta alcançar seu objetivo na interação. No manual de habilidades da DBT, GIVE é apresentado como um conjunto de diretrizes para efetividade nos relacionamentos: ser Gentil, demonstrar Interesse, Validar e adotar um Estilo tranquilo.

Em linguagem simples, GIVE ensina a se comunicar de um jeito que diga: “o que eu preciso importa, e você também importa”. Não é uma habilidade para agradar a qualquer custo. Não é para se anular. Não é para aceitar desrespeito. É uma forma de cuidar da relação enquanto você fala de algo difícil.

O que significa GIVE?

GIVE é uma sigla em inglês. Em português, podemos entender assim:

  • G — Gentil: seja respeitoso, sem ataques, ameaças, humilhações ou desprezo.
  • I — Interessado: escute de verdade, preste atenção e tente entender o ponto de vista do outro.
  • V — Validar: mostre que compreende algo da experiência da outra pessoa.
  • E — Estilo tranquilo: use um tom mais calmo, leve e cordial quando for possível.

O manual para terapeutas explica que as habilidades GIVE são destinadas a manter ou melhorar a relação com outra pessoa enquanto tentamos alcançar o que queremos na interação. Ele também destaca que a efetividade no relacionamento é importante em qualquer interação, mesmo quando a prioridade principal é conseguir um objetivo específico.

Isso significa que, mesmo quando você está usando DEAR MAN para pedir algo, GIVE pode melhorar a forma do pedido. Mesmo quando você está usando FAST para manter o autorrespeito, GIVE pode impedir que firmeza vire dureza desnecessária. As habilidades se complementam.

Quando usar GIVE?

Use GIVE quando o relacionamento importa. Isso pode acontecer em conversas com parceiro, família, amigos, colegas de trabalho, filhos, pais, clientes, vizinhos ou qualquer pessoa com quem você deseja preservar um vínculo minimamente respeitoso.

GIVE é especialmente útil quando:

  • Você precisa pedir algo sem machucar a relação.
  • Você quer dizer não, mas ainda deseja manter respeito.
  • Você discorda de alguém e quer evitar polarização.
  • A outra pessoa está emocionalmente sensível.
  • A conversa pode virar briga se o tom ficar agressivo.
  • Você precisa validar antes de resolver o problema.
  • Você quer colocar limite sem desprezo.
  • Você percebe que está interrompendo, atacando ou julgando.
  • Você quer que a outra pessoa se sinta considerada, mesmo que não receba tudo que quer.

GIVE não é necessário apenas em conversas “boas”. Ele é ainda mais importante em conversas difíceis. Quando há tensão, frustração, medo, vergonha ou raiva, a forma da comunicação pode determinar se o problema será resolvido ou se a relação ficará mais ferida.

GIVE não é submissão

Uma confusão comum é pensar que cuidar do relacionamento significa ceder sempre. Isso não é DBT. GIVE não pede que você abandone seus limites. Não pede que aceite abuso. Não pede que concorde quando discorda. Não pede que diga sim quando precisa dizer não.

GIVE fala sobre a forma como você se comunica. Você pode ser gentil e firme. Pode demonstrar interesse e ainda manter sua posição. Pode validar a emoção do outro e ainda dizer não. Pode usar um estilo tranquilo e ainda encerrar uma conversa desrespeitosa.

Por exemplo, dizer “eu entendo que você esteja frustrado, e ainda assim não posso fazer isso hoje” é GIVE com limite. Dizer “percebo que você está com raiva, e vou encerrar a ligação se continuar me xingando” também pode ser GIVE combinado com autorrespeito. O livro DBT Para Leigos mostra que GIVE pode ser combinado com FAST justamente para equilibrar consideração pelo outro e fidelidade aos próprios limites.

G de Gentil: firmeza sem ataque

Ser gentil, em GIVE, não significa ser artificialmente doce. Significa ser respeitoso. O manual do paciente descreve essa parte como ser simpático e respeitoso, sem ataques verbais ou físicos, sem ameaças, sem julgamentos, sem zombaria e sem declarações manipuladoras.

Isso é simples de entender e difícil de praticar quando estamos com raiva. Em discussões, ataques podem parecer uma forma de defesa. A pessoa pensa: “se eu falar duro, ela vai entender”. Às vezes, o outro até obedece por medo ou cansaço, mas a relação fica pior. A pessoa pode fazer o que você pediu, mas com ressentimento.

Compare:

  • Ataque: “Você é egoísta e nunca pensa em ninguém.”
  • Gentileza firme: “Quando você muda o plano sem me avisar, eu fico frustrado. Preciso que você me avise antes.”
  • Ameaça: “Se você não fizer isso, vai se arrepender.”
  • Gentileza firme: “Se não conseguirmos combinar uma divisão, eu vou precisar reorganizar o que posso assumir.”
  • Zombaria: “Nossa, que drama.”
  • Gentileza firme: “Eu vejo que isso te afetou. Quero entender melhor, mas também preciso falar da minha parte.”

Gentileza não enfraquece a mensagem. Muitas vezes, ela torna a mensagem mais possível de ser ouvida.

O que evitar na gentileza

Para praticar gentileza em conversas difíceis, evite quatro coisas:

  • Ataques: insultos, acusações globais, agressões verbais, sarcasmo cruel.
  • Ameaças: tentativas de controlar pelo medo, chantagem emocional, consequências exageradas.
  • Julgamentos: frases como “você deveria”, “você é ridículo”, “isso é burrice”.
  • Desprezo: virar os olhos, zombar, imitar, ignorar de propósito, usar tom humilhante.

O manual para terapeutas resume ser gentil como evitar ataques, ameaças, críticas e desrespeito, lembrando que as pessoas tendem a responder melhor à gentileza do que à aspereza.

Isso não significa esconder raiva. A própria ficha de Linehan orienta expressar raiva diretamente com palavras, não por ataques. Você pode dizer “estou com raiva” sem dizer “você é uma pessoa horrível”. Pode dizer “isso me machucou” sem humilhar. Pode dizer “não aceito esse tom” sem ameaçar.

I de Interessado: escutar de verdade

Demonstrar interesse significa ouvir o ponto de vista da outra pessoa. Não é apenas ficar em silêncio esperando sua vez de falar. É tentar entender o que a pessoa está dizendo, o que está sentindo, o que está pedindo e o que importa para ela.

O manual do paciente orienta ouvir e demonstrar interesse: escutar o ponto de vista do outro, encarar a pessoa, manter contato visual quando adequado, inclinar-se em direção ao outro, não interromper, não falar por cima e ser sensível ao desejo do outro de conversar em outro momento.

Interesse pode aparecer em frases como:

  • “Quero entender melhor o que você quis dizer.”
  • “O que nessa situação foi mais difícil para você?”
  • “Você pode me explicar como isso te afetou?”
  • “Estou ouvindo. Continua.”
  • “Deixa eu ver se entendi: você se sentiu deixado de lado?”
  • “Eu discordo de uma parte, mas quero entender seu ponto.”

Demonstrar interesse não significa concordar. Você pode escutar com atenção e, depois, manter sua posição. A escuta não é contrato de obediência. Ela é uma forma de respeito.

O que atrapalha demonstrar interesse?

Algumas atitudes fazem a outra pessoa sentir que você não está realmente interessado:

  • Interromper antes de ela terminar.
  • Responder olhando para o celular.
  • Preparar sua defesa enquanto a pessoa fala.
  • Corrigir detalhes pequenos e perder o ponto principal.
  • Dar solução rápida antes de entender.
  • Fazer perguntas que parecem interrogatório.
  • Usar silêncio punitivo.
  • Suspirar, rir ou virar os olhos.

Em relações sensíveis, muitas vezes a pessoa não precisa primeiro de uma solução. Precisa sentir que foi compreendida. DBT Para Leigos alerta que, para pessoas emocionalmente sensíveis, oferecer solução antes de validação pode soar como se a dor fosse simples ou incompreendida; por isso, validar antes de resolver costuma ser mais efetivo.

Uma pergunta útil é: “eu estou tentando entender ou estou tentando vencer?”.

V de Validar: reconhecer o que faz sentido

Validação é o coração de GIVE. Validar é mostrar, com palavras ou ações, que você entende algo da experiência da outra pessoa. Não significa concordar com tudo. Não significa dizer que a pessoa está certa. Não significa admitir culpa por algo que você não fez. Significa reconhecer que, dentro da história, emoção ou perspectiva dela, algo faz sentido.

O manual do paciente orienta validar com palavras e ações, mostrando que você compreende os sentimentos e pensamentos da outra pessoa sobre a situação. A ficha sugere ver o mundo do ponto de vista do outro e então dizer ou agir de acordo com o que você vê.

Exemplos de validação:

  • “Entendo que isso tenha sido frustrante para você.”
  • “Faz sentido você ter ficado preocupado, considerando o que aconteceu antes.”
  • “Eu vejo que essa conversa é importante para você.”
  • “Você parece magoado, e eu quero levar isso a sério.”
  • “Entendo que esperar minha resposta tenha sido difícil.”
  • “Mesmo eu vendo diferente, consigo entender por que você se sentiu excluído.”

Validar é especialmente poderoso quando há discordância. DBT Para Leigos explica que é possível discordar fortemente da posição de alguém e ainda reconhecer que a pessoa pode se sentir de determinada maneira a respeito da situação. Essa capacidade ajuda a tolerar discordâncias sem prejudicar o relacionamento.

Validação não é concordância

Essa distinção precisa ficar clara. Muitas pessoas evitam validar porque pensam: “se eu validar, vou dar razão”. Mas validar emoção não é aprovar comportamento. Validar perspectiva não é abandonar a sua. Validar dor não é aceitar culpa automática.

Você pode dizer:

  • “Entendo que você esteja bravo, e eu não aceito ser xingado.”
  • “Faz sentido você querer uma resposta agora, e eu preciso de tempo para pensar.”
  • “Eu vejo que você ficou magoado, e minha intenção não foi te excluir.”
  • “Entendo que você queira ajuda, e hoje eu não posso assumir isso.”
  • “Você está preocupado com nosso filho, e ao mesmo tempo precisamos conversar sem gritar.”

A palavra “e” é muito útil. Ela cria espaço para duas verdades. “Eu entendo sua dor, e meu limite continua.” “Eu vejo seu ponto, e penso diferente.” “Você importa, e eu também importo.” Isso é pensamento dialético aplicado aos relacionamentos.

Formas simples de validar

Validação pode acontecer em níveis diferentes. Para o público geral, algumas formas simples já ajudam muito:

  • Prestar atenção: olhar, escutar, não interromper.
  • Refletir: repetir com suas palavras o que entendeu.
  • Nomear emoção: “você parece triste”, “isso parece ter te irritado”.
  • Reconhecer causas: “considerando o que aconteceu, faz sentido você estar preocupado”.
  • Tratar como legítimo: “isso é importante, vamos falar com calma”.
  • Agir de acordo: ir para um lugar privado se o assunto for delicado, diminuir o tom, dar tempo.

A validação pode ser verbal, mas também pode ser comportamental. Às vezes, abaixar o celular, sentar para ouvir, mudar para um lugar privado ou dar tempo para a pessoa se organizar comunica mais validação do que muitas frases prontas.

E de Estilo tranquilo: suavizar a conversa

Adotar um estilo tranquilo significa usar uma postura mais leve, cordial e serena quando isso for possível. Não significa brincar com dor séria nem usar humor para invalidar. Significa evitar trazer intensidade desnecessária para a conversa.

A ficha do paciente sugere usar um pouco de humor, sorrir, acalmar a pessoa, agir com serenidade, elogiar quando apropriado e preferir persuasão suave ao convencimento agressivo.

O manual para terapeutas explica que um estilo tranquilo ajuda a criar uma atmosfera confortável em conversas tensas, transmitindo a mensagem de que a conversa é segura e que a outra pessoa pode ficar mais relaxada. Também contrasta a “venda suave” com a “venda agressiva”: as pessoas geralmente não gostam de ser intimidadas, forçadas ou culpabilizadas.

Exemplos de estilo tranquilo:

  • Usar voz mais baixa e estável.
  • Fazer uma pausa antes de responder.
  • Usar um pouco de leveza quando o contexto permite.
  • Evitar tom de interrogatório.
  • Falar com cordialidade.
  • Reconhecer algo positivo antes de pedir mudança.
  • Mostrar abertura para ouvir.
  • Não transformar cada diferença em batalha.

Estilo tranquilo não é passividade. É uma forma de diminuir atrito. Você pode dizer “não” em estilo tranquilo. Pode colocar limite em estilo tranquilo. Pode discordar em estilo tranquilo. A força da mensagem não precisa vir de agressividade.

GIVE combinado com DEAR MAN

DEAR MAN ajuda a pedir com clareza. GIVE ajuda a cuidar da relação enquanto você pede. Muitas vezes, as duas habilidades devem ser usadas juntas.

Exemplo sem GIVE:

“Você nunca ajuda em casa. Quero que lave a louça nas terças e quintas.”

Exemplo com DEAR MAN e GIVE:

“Nas últimas duas semanas, eu lavei a louça quase todos os dias. Estou me sentindo sobrecarregado. Você pode assumir a louça nas terças e quintas? Acho que isso vai deixar a divisão mais justa. Eu sei que você também está cansado, e quero encontrar um combinado que funcione para nós dois.”

O pedido continua claro, mas o tom muda. A outra pessoa tem menos motivo para se defender e mais chance de colaborar.

GIVE combinado com FAST

FAST ajuda a manter o autorrespeito. GIVE ajuda a fazer isso sem desnecessariamente ferir o outro. Essa combinação é especialmente útil para limites.

Exemplo:

“Eu entendo que você esteja frustrado porque queria que eu fosse hoje. Ao mesmo tempo, eu já tinha me comprometido com outra coisa e não vou cancelar. Podemos combinar outro dia.”

Aqui há GIVE: você reconhece a frustração da pessoa. E há FAST: você mantém seu valor de cumprir compromisso. A conversa fica mais dialética: o outro importa, e seu limite também.

Exemplo: validar sem concordar

Situação: um amigo diz que você o excluiu porque saiu com outras pessoas sem convidá-lo. Você não concorda totalmente, porque achou que era um encontro específico de outro grupo. Ainda assim, quer cuidar da relação.

Uma resposta com GIVE:

“Eu entendo que você tenha se sentido excluído ao ver as fotos. Se eu estivesse no seu lugar, talvez também me perguntasse se fui deixado de fora. Minha intenção não foi te excluir; era um encontro combinado por outra pessoa. Mas quero levar em conta como isso te afetou.”

Essa resposta valida a emoção, explica sua perspectiva e mantém abertura. Não diz “você está certo, eu te excluí”. Também não diz “você é dramático”. Ela segura duas verdades.

Exemplo: dizer não com GIVE

Situação: alguém pede um favor, mas você está sem energia e não pode ajudar.

Resposta com GIVE:

“Eu vejo que isso é importante para você e sinto muito que esteja apertado. Hoje eu não consigo assumir essa tarefa. Posso te ajudar a pensar em outra opção por alguns minutos, mas não consigo fazer por você.”

Há gentileza, interesse, validação e limite. O “não” continua sendo “não”, mas não vem com frieza ou desprezo.

Exemplo: conversa com alguém irritado

Situação: uma pessoa está irritada e começa a falar em tom duro. Você quer evitar que a conversa vire briga.

Resposta com GIVE:

“Eu quero entender o que te incomodou. Percebo que você está muito irritado. Eu consigo ouvir melhor se a gente falar sem insultos. Vamos tentar voltar para o ponto principal?”

Essa resposta demonstra interesse e valida a emoção, mas também coloca um limite na forma da conversa.

Quando GIVE é difícil

GIVE costuma ser difícil quando a pessoa está com muita raiva, vergonha, medo de abandono ou sensação de injustiça. Nesses momentos, pode aparecer o pensamento: “ele não merece que eu seja gentil”. Esse tipo de crença aparece entre os mitos que interferem na efetividade interpessoal, como a ideia de que não devemos ser gentis, justos ou respeitosos se os outros não são conosco.

A pergunta da DBT não é “a outra pessoa merece?”. A pergunta é: “o que funciona?”. Às vezes, ser gentil não é presente para o outro; é proteção para seus objetivos, seus valores e sua paz depois da conversa.

Isso não significa tolerar abuso. Se há risco, ameaça ou violência, segurança vem primeiro. GIVE não deve ser usado para permanecer em perigo. Mas, em conflitos comuns, a habilidade pode impedir que uma conversa difícil se transforme em ferida maior.

Como praticar GIVE no dia a dia

Você pode treinar GIVE em interações pequenas:

  • Responder com gentileza a uma pergunta simples.
  • Ouvir alguém por dois minutos sem interromper.
  • Validar uma emoção antes de dar opinião.
  • Fazer um pedido com tom mais calmo.
  • Dizer não sem sarcasmo.
  • Guardar o celular enquanto alguém fala.
  • Trocar “você está exagerando” por “vejo que isso te afetou”.
  • Usar “e” em vez de “mas” quando quiser validar e colocar limite.

O treino em situações pequenas prepara para conversas maiores. Se você espera a crise máxima para praticar, a habilidade fica mais difícil de lembrar.

Um roteiro simples para usar GIVE

Antes de uma conversa importante, responda:

Meu roteiro GIVE

Qual relação quero cuidar?

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Qual é meu objetivo na conversa?

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G — Como posso ser gentil sem abandonar meu limite?

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I — Como vou demonstrar interesse pelo ponto de vista da outra pessoa?

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V — O que posso validar de forma honesta?

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E — Como posso manter um estilo mais tranquilo?

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Esse roteiro ajuda a entrar na conversa com intenção. Sem ele, a emoção pode decidir a forma da fala.

Uma prática de sete dias

Para treinar GIVE durante uma semana:

  1. Dia 1: observe uma conversa e perceba se você usa ataques, interrupções ou julgamentos.
  2. Dia 2: pratique gentileza em um pedido pequeno.
  3. Dia 3: escute alguém sem interromper e depois resuma o que entendeu.
  4. Dia 4: valide uma emoção sem tentar resolver imediatamente.
  5. Dia 5: use um estilo tranquilo em uma conversa que normalmente ficaria tensa.
  6. Dia 6: combine GIVE com um limite: valide e diga não.
  7. Dia 7: revise uma interação e pergunte: cuidei da relação sem me abandonar?

Frases úteis para GIVE

  • “Quero entender melhor seu ponto.”
  • “Faz sentido você se sentir assim, considerando o que aconteceu.”
  • “Eu vejo que isso é importante para você.”
  • “Eu discordo de uma parte, e ainda quero entender.”
  • “Entendo sua frustração, e meu limite continua sendo este.”
  • “Vamos tentar falar de um jeito que ajude a conversa.”
  • “Não quero vencer a discussão; quero resolver melhor.”
  • “Posso ouvir primeiro e depois falar da minha parte.”
  • “Eu me importo com você e também preciso ser claro.”
  • “Vamos fazer uma pausa se o tom estiver subindo.”

Como saber se GIVE funcionou?

GIVE não funcionou apenas quando a outra pessoa ficou feliz. Às vezes, você usa GIVE e a pessoa ainda fica frustrada. Isso não significa fracasso. A pergunta é mais ampla:

  • Fui respeitoso?
  • Evitei ataques, ameaças e desprezo?
  • Escutei antes de responder?
  • Validei algo verdadeiro?
  • Mantive um tom mais tranquilo?
  • Cuidei da relação sem abandonar meu limite?
  • A conversa ficou menos destrutiva do que poderia ter ficado?

A ficha de tarefas de efetividade interpessoal da DBT orienta rastrear o uso das habilidades, registrando prioridades, se o objetivo foi atingido e qual efeito a interação teve no relacionamento e no autorrespeito. Essa avaliação ajuda a perceber que uma conversa pode ser efetiva mesmo sem ser perfeita.

GIVE não substitui segurança

GIVE não deve ser usado para tolerar violência, ameaça, abuso ou coerção. Se a relação envolve perigo, a prioridade é segurança. Em situações assim, talvez o mais efetivo seja se afastar, buscar apoio, criar um plano de segurança ou procurar ajuda especializada.

Também é importante lembrar que, se sua emoção está muito alta, talvez você precise usar STOP, TIP, respiração, pausa ou outra habilidade de tolerância ao mal-estar antes de tentar GIVE. Relações difíceis exigem mente sábia. Quando a mente emocional está no comando, até uma frase gentil pode sair com veneno.

Cuidar da relação sem se apagar

GIVE é uma habilidade de equilíbrio. Ela ensina que a forma como falamos importa. Não basta ter razão. Não basta ter uma necessidade legítima. Não basta querer resolver. Se a forma da conversa vem cheia de ataque, desprezo, interrupção ou invalidação, a chance de conflito aumenta.

Ao mesmo tempo, GIVE não pede que você desapareça para manter a paz. Cuidar do relacionamento não significa trair a si mesmo. A habilidade funciona melhor quando anda junto com clareza, limites e autorrespeito. Você pode validar e ainda discordar. Pode ser gentil e ainda dizer não. Pode escutar e ainda pedir mudança. Pode usar estilo tranquilo e ainda encerrar uma conversa agressiva.

Em muitos relacionamentos, a mudança começa quando alguém consegue dizer: “eu quero falar do que preciso sem te atacar, e quero ouvir o que você sente sem me abandonar”. Essa é a essência de GIVE.

Relações saudáveis não exigem que uma pessoa vença e a outra perca. Elas exigem espaço para duas experiências. A sua e a do outro. GIVE ajuda a criar esse espaço. Com gentileza, interesse, validação e um estilo mais tranquilo, conversas difíceis podem deixar de ser campos de batalha e começar a virar oportunidades de entendimento, limite e cuidado.

Continue aprendendo

Referências bibliográficas

  • Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o paciente. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
  • Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
  • Galen, Gillian; Aguirre, Blaise. DBT: Terapia Comportamental Dialética Para Leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2022.
  • Koerner, Kelly. Aplicando a Terapia Comportamental Dialética: um guia prático. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2020.
  • Van Dijk, Sheri. Não deixe as emoções comandarem sua vida: habilidades de DBT para adolescentes. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2025.

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