Nomear emoções parece uma tarefa simples, mas para muitas pessoas é uma das partes mais difíceis do cuidado emocional. Quando alguém pergunta “o que você está sentindo?”, a resposta pode vir vaga: “não sei”, “estou mal”, “estou estranho”, “estou pesado”, “estou nervoso”, “estou confuso”, “estou no limite”. Essas respostas mostram que existe alguma coisa acontecendo por dentro, mas ainda não mostram exatamente o que é. E, quando não sabemos o que sentimos, fica muito mais difícil escolher o que fazer.

Na Terapia Comportamental Dialética, conhecida como DBT, nomear emoções é uma habilidade central dentro da regulação emocional. O manual de habilidades para pacientes organiza uma parte inteira do módulo de regulação emocional em torno de identificar, entender e nomear emoções. Ele explica que é difícil manejar emoções quando não compreendemos como elas funcionam, e que conhecer uma emoção é um passo importante antes de tentar regulá-la.

Isso faz muito sentido na vida prática. Se você chama tudo de “raiva”, talvez não perceba que por baixo há medo, vergonha ou tristeza. Se chama tudo de “ansiedade”, talvez não veja que há culpa, insegurança ou sobrecarga. Se diz apenas “estou mal”, talvez não saiba se precisa descansar, pedir desculpas, colocar limite, procurar apoio, verificar os fatos, enfrentar algo ou simplesmente permitir uma emoção passar.

Nomear emoções com clareza não é ficar pensando em si mesmo o dia inteiro. É criar um mapa interno. Quando você sabe onde está, pode escolher melhor o próximo passo. Quando não sabe, tende a agir no automático: atacar, fugir, se calar, se esconder, cobrar, controlar, desistir, se punir ou tentar anestesiar a dor.

Por que nomear emoções ajuda tanto?

Nomear uma emoção cria distância entre você e a experiência. Em vez de “sou um desastre”, você pode perceber: “estou sentindo vergonha”. Em vez de “ninguém se importa”, pode perceber: “estou sentindo medo de rejeição”. Em vez de “preciso explodir”, pode perceber: “estou com raiva e tenho impulso de atacar”.

Essa mudança não resolve tudo imediatamente, mas muda a relação com a emoção. A emoção deixa de ser uma verdade total e passa a ser uma experiência que pode ser observada. A DBT valoriza muito essa postura de observar e descrever sem julgamento. O manual do paciente afirma que a regulação emocional exige habilidades de mindfulness, especialmente observação e descrição não julgadora das emoções atuais.

Quando você nomeia, também pode escolher melhor a habilidade. Medo pode pedir verificação dos fatos ou ação oposta. Raiva pode pedir pausa, limite ou comunicação efetiva. Vergonha pode pedir autovalidação, reparação ou aproximação cuidadosa. Tristeza pode pedir luto, descanso, contato ou atividade significativa. Culpa pode pedir reparação. Ansiedade pode pedir planejamento, tolerância à incerteza ou retorno ao presente.

Sem nome, tudo vira urgência. Com nome, a experiência começa a ganhar forma.

“Estou mal” é um começo, não o final

Muitas pessoas se criticam por não saberem nomear emoções. Mas “estou mal” pode ser um começo legítimo. Ele mostra que algo está acontecendo. A habilidade consiste em dar passos mais específicos.

Você pode perguntar:

  • Esse “mal” parece mais tristeza, medo, raiva, vergonha, culpa, ansiedade, solidão ou cansaço?
  • Minha energia está alta ou baixa?
  • Tenho vontade de atacar, fugir, me esconder, chorar, pedir ajuda, controlar, reparar ou desistir?
  • Onde sinto isso no corpo?
  • Que pensamento acompanha essa sensação?
  • O que aconteceu antes de eu perceber isso?

Essas perguntas ajudam a sair de uma palavra geral para uma descrição mais útil. “Estou mal” pode virar “estou triste e sozinho”. Pode virar “estou com vergonha depois de uma crítica”. Pode virar “estou com raiva porque senti meu limite ultrapassado”. Pode virar “estou ansioso porque não sei o que vai acontecer”.

Quanto mais clara a descrição, maior a chance de escolher uma resposta que ajude.

Use o corpo como pista

Emoções não acontecem apenas na cabeça. Elas aparecem no corpo. Muitas vezes, o corpo sabe antes das palavras. Por isso, observar sensações físicas é uma forma muito útil de nomear emoções.

Raiva pode aparecer como calor no rosto, tensão no maxilar, mãos fechadas, peito forte, vontade de avançar ou voz mais alta. Medo pode aparecer como coração acelerado, frio na barriga, respiração curta, tremor, tensão e vontade de fugir, lutar ou congelar. Tristeza pode aparecer como peso no corpo, nó na garganta, lágrimas, cansaço e vontade de se recolher. Vergonha pode aparecer como rosto quente, olhar baixo, vontade de se esconder ou sensação de encolher. Culpa pode aparecer como aperto, inquietação e vontade de reparar ou se punir.

O livro DBT: Terapia Comportamental Dialética Para Leigos apresenta uma forma simples de começar chamada SUN: sensações, urgência e nomear. A ideia é observar sensações corporais, perceber o impulso de ação e, com essas pistas, nomear a emoção.

Essa sequência é prática porque nem sempre a emoção vem com uma etiqueta pronta. Às vezes, você não sabe se está com medo ou raiva, mas percebe que o peito está apertado e que há vontade de fugir. Isso sugere medo. Em outro momento, percebe calor no rosto, tensão nos braços e vontade de responder com força. Isso sugere raiva. O corpo ajuda a traduzir.

Observe o impulso de ação

Toda emoção tende a trazer um impulso. Esse impulso não é uma ordem, mas é uma pista importante.

Se você quer fugir, evitar ou buscar garantias, talvez haja medo ou ansiedade. Se quer atacar, interromper, provar que está certo ou levantar a voz, talvez haja raiva. Se quer se esconder, cancelar tudo ou desaparecer, talvez haja vergonha. Se quer chorar, deitar, se recolher ou buscar consolo, talvez haja tristeza. Se quer pedir desculpas, reparar ou confessar algo, talvez haja culpa. Se quer controlar alguém ou checar repetidamente, talvez haja ciúme, medo ou insegurança.

O impulso ajuda a dar nome, mas não precisa ser obedecido automaticamente. Uma das grandes habilidades da DBT é justamente perceber: “estou com impulso de agir, mas posso escolher”. Nomear a emoção ajuda a criar essa pausa.

Por exemplo, se você percebe vontade de mandar muitas mensagens, pode nomear: “estou com medo de ser ignorado”. Se percebe vontade de responder com ironia, pode nomear: “estou com raiva e me senti desrespeitado”. Se percebe vontade de sumir depois de um erro, pode nomear: “estou com vergonha”.

O nome torna o impulso mais compreensível e menos automático.

Separe emoção, pensamento e fato

Um dos motivos pelos quais é difícil nomear emoções é que misturamos emoção com pensamento e fato. Dizemos “fui abandonado” quando talvez o fato seja “a pessoa não respondeu ainda” e a emoção seja “medo”. Dizemos “sou um fracasso” quando talvez o fato seja “cometi um erro” e a emoção seja “vergonha”. Dizemos “ninguém se importa” quando talvez o fato seja “não recebi apoio hoje” e a emoção seja “solidão”.

Separar essas partes ajuda muito:

  • Fato: o que aconteceu de forma observável?
  • Pensamento: que interpretação minha mente criou?
  • Emoção: o que senti?
  • Impulso: o que tive vontade de fazer?

Exemplo:

Fato: “Meu amigo visualizou a mensagem e não respondeu por quatro horas.”

Pensamento: “Ele não se importa comigo.”

Emoção: “Medo, tristeza e talvez raiva.”

Impulso: “Mandar outra mensagem cobrando.”

Esse tipo de descrição é muito mais útil do que simplesmente dizer “ele é horrível” ou “ninguém liga para mim”. A DBT ensina que muitas emoções e comportamentos são disparados por interpretações dos eventos, não apenas pelos eventos em si. Por isso, nomear emoções caminha junto com observar pensamentos e verificar os fatos.

As emoções podem vir misturadas

Nem sempre existe apenas uma emoção. Você pode sentir raiva e tristeza ao mesmo tempo. Medo e vergonha. Culpa e amor. Ciúme e insegurança. Alívio e tristeza. Alegria e medo. Isso é normal.

A mente gosta de respostas simples, mas a vida emocional é complexa. Uma pessoa pode sentir raiva de alguém que ama. Pode sentir tristeza por terminar uma relação e alívio por sair de algo difícil. Pode sentir vergonha por precisar de ajuda e gratidão por recebê-la. Pode sentir ciúme e, ao mesmo tempo, saber racionalmente que não há prova de ameaça.

Nomear emoções com clareza não exige escolher uma única palavra sempre. Às vezes, a melhor descrição é: “há uma mistura”. Mas tente identificar qual emoção está mais forte e qual veio primeiro.

Essa distinção será importante no próximo tema do conjunto: emoções primárias e secundárias. Por enquanto, lembre-se de que emoções misturadas não significam que você está “louco” ou “contraditório”. Significam que várias partes da experiência estão ativas ao mesmo tempo.

Emoção primária e emoção secundária

Uma emoção primária é a primeira resposta emocional a um acontecimento. Uma emoção secundária é uma reação à emoção primária. Por exemplo, você pode sentir medo primeiro e depois raiva por estar com medo. Pode sentir tristeza primeiro e depois vergonha por estar triste. Pode sentir culpa primeiro e depois raiva de si mesmo. Pode sentir ciúme primeiro e depois vergonha por sentir ciúme.

O livro DBT Para Leigos explica que emoções primárias estão diretamente ligadas ao evento que as gerou, enquanto emoções secundárias são reações emocionais às emoções primárias e podem se tornar mais avassaladoras.

Nomear emoções com clareza ajuda a encontrar a emoção primária escondida. Isso é muito importante porque, às vezes, tentamos resolver a emoção secundária e deixamos a principal sem cuidado.

Imagine alguém que explode de raiva quando o parceiro chega atrasado. A raiva é visível. Mas, por baixo, talvez a emoção primária seja medo: “não sou importante”. Se a pessoa só chama tudo de raiva, talvez ataque. Se percebe o medo, pode comunicar de modo mais honesto: “quando você atrasou e não avisou, senti medo de não ser levado em conta”.

Outro exemplo: uma pessoa se isola depois de receber uma crítica. Diz que está “sem vontade de falar com ninguém”. Mas, ao observar melhor, percebe vergonha. Por baixo da vergonha, talvez haja tristeza e desejo de ser aceita. Nomear isso pode abrir caminho para pedir apoio em vez de desaparecer.

Comece pelas emoções básicas

Para quem está começando, pode ajudar trabalhar com uma lista simples de emoções. Você não precisa usar palavras muito complexas logo no início. Comece com grupos principais:

  • Raiva
  • Medo
  • Tristeza
  • Vergonha
  • Culpa
  • Alegria
  • Amor
  • Nojo ou repulsa
  • Ciúme
  • Inveja
  • Ansiedade
  • Solidão

A segunda edição do manual para terapeutas ampliou a parte de regulação emocional e passou a descrever mais emoções detalhadamente, incluindo repulsa, inveja, ciúme e culpa.

Depois de escolher uma emoção básica, refine. Raiva pode ser irritação, frustração, indignação, ressentimento, fúria. Medo pode ser insegurança, pânico, apreensão, preocupação, alerta. Tristeza pode ser saudade, luto, desânimo, solidão, decepção. Vergonha pode ser constrangimento, exposição, inadequação, humilhação. Culpa pode ser arrependimento, remorso, responsabilidade por impacto.

Refinar o nome ajuda a ajustar a resposta. Irritação leve pede uma coisa. Fúria pede outra. Saudade pede uma coisa. Desespero pede outra. Culpa saudável pede reparação. Vergonha tóxica pede autovalidação e talvez ação oposta.

Use a pergunta: “o que essa emoção quer que eu faça?”

Uma forma simples de identificar emoções é perguntar o que ela está tentando fazer você fazer.

Se quer atacar, talvez seja raiva. Se quer fugir, talvez seja medo. Se quer esconder-se, talvez seja vergonha. Se quer reparar, talvez seja culpa. Se quer se aproximar, talvez seja amor, saudade ou necessidade de conexão. Se quer afastar algo, talvez seja nojo. Se quer proteger uma relação, talvez seja ciúme ou medo. Se quer parar tudo e se recolher, talvez seja tristeza ou exaustão.

Essa pergunta não serve para obedecer ao impulso, mas para entender a emoção. Depois você pode perguntar: “esse impulso ajuda ou atrapalha?”. É aqui que entram outras habilidades da DBT, como ação oposta, solução de problemas, tolerância ao mal-estar e efetividade interpessoal.

Nomear emoção não é justificar comportamento

Algumas pessoas têm medo de nomear emoções porque acham que isso vai justificar ações ruins. “Se eu digo que estava com raiva, parece que estou dizendo que tudo bem gritar.” Mas não é assim. Nomear emoção não justifica comportamento. Nomear ajuda a entender o que aconteceu para escolher melhor.

Você pode dizer: “eu estava com raiva” e também “não foi certo gritar”. Pode dizer: “eu estava com medo de ser abandonado” e também “não foi útil controlar a outra pessoa”. Pode dizer: “eu senti vergonha” e também “evitar a conversa piorou o problema”.

Essa postura é bem DBT: validação e responsabilidade juntas. A emoção faz sentido em algum contexto; o comportamento ainda pode precisar mudar.

Nomear emoção reduz autocrítica

Quando você não sabe o que sente, é mais fácil transformar a experiência em ataque contra si mesmo. “Sou dramático.” “Sou fraco.” “Sou difícil.” “Sou confuso.” “Sou impossível.” Mas, quando nomeia a emoção, a frase muda.

“Sou dramático” pode virar “estou com medo e pedindo segurança de forma intensa”.

“Sou fraco” pode virar “estou triste e precisando de apoio”.

“Sou difícil” pode virar “estou com raiva e não sei comunicar meu limite ainda”.

“Sou impossível” pode virar “minha emoção está muito alta e preciso usar uma habilidade de crise”.

Essa mudança não é apenas mais gentil; é mais precisa. E precisão ajuda a mudar. Um rótulo global fecha a conversa. Um nome emocional abre um caminho.

Quando você não consegue nomear nada

Às vezes, a pessoa realmente não sabe o que sente. Pode haver vazio, dormência, confusão ou desligamento. Isso pode acontecer por hábito de reprimir emoções, medo de sentir, sobrecarga, trauma, cansaço ou falta de prática.

Nesses momentos, não force uma resposta perfeita. Comece pelo corpo e pela intensidade:

  • Estou ativado ou desligado?
  • Minha energia está alta ou baixa?
  • Meu corpo quer se mover, atacar, correr, congelar ou deitar?
  • Há aperto, peso, calor, frio, tensão, vazio ou agitação?
  • A sensação é agradável, desagradável ou neutra?

Você também pode usar aproximações: “talvez seja medo”, “parece vergonha”, “tem algo de tristeza”, “não sei o nome ainda, mas há aperto no peito”. Nomear emoções é uma habilidade construída aos poucos. Não saber o nome no começo não é fracasso; é ponto de partida.

Use intensidade para entender melhor

Além do nome, observe a intensidade. Uma mesma emoção pode aparecer em graus diferentes. Irritação não é fúria. Preocupação não é pânico. Tristeza leve não é desespero. Constrangimento não é vergonha esmagadora.

Use uma escala de 0 a 100:

  • 0 significa ausência da emoção.
  • 30 significa leve.
  • 60 significa moderada.
  • 90 significa muito intensa.
  • 100 significa máximo.

Essa escala ajuda a escolher habilidades. Se a emoção está em 90, talvez você precise primeiro de tolerância ao mal-estar, TIP, STOP ou apoio. Se está em 50, talvez consiga verificar os fatos ou usar ação oposta. Se está em 20, talvez seja um bom momento para refletir, escrever e aprender.

A DBT observa que emoções extremas podem ultrapassar o ponto em que habilidades mais complexas ficam disponíveis, exigindo habilidades de sobrevivência a crises antes de outras estratégias.

Nomear emoções em relacionamentos

Nomear emoções melhora muito a comunicação. Em vez de acusar, você consegue descrever sua experiência. Isso não garante que a outra pessoa responderá bem, mas aumenta sua chance de ser compreendido e de manter autorrespeito.

Compare:

“Você não liga para mim.”

“Quando você não respondeu, eu senti medo e tristeza.”

A segunda frase é mais clara. Ela fala da emoção sem transformar a outra pessoa em vilã. Também permite um pedido: “você pode me avisar quando estiver ocupado?”.

Outro exemplo:

“Você é insuportável.”

“Quando fui interrompido várias vezes, senti irritação e frustração.”

Essa descrição abre espaço para limite: “quero terminar minha frase antes de você responder”.

Nomear emoções não é falar de forma frágil. É falar de forma mais precisa. Muitas vezes, a precisão é mais forte do que o ataque.

Nomear emoções sem se afogar nelas

Algumas pessoas evitam nomear emoções porque têm medo de que, se colocarem nome, a emoção aumente. Às vezes, olhar para uma emoção realmente pode trazer desconforto no início. Mas a DBT ensina que observar e nomear com mindfulness pode ajudar a emoção a seguir seu curso.

DBT Para Leigos descreve que identificar uma emoção e validá-la pode ser uma experiência poderosa, e que nomear a emoção cria espaço entre a pessoa e aquilo que ela sente.

O segredo é nomear sem alimentar. Nomear não é repetir mentalmente todas as razões para sofrer. Não é construir uma história enorme. Não é procurar culpados. É dizer: “tristeza está aqui”, “raiva está aqui”, “medo está aqui”. Depois observar corpo, impulso e intensidade.

Se a emoção ficar forte demais, volte para habilidades de crise. Nomear deve ajudar a criar clareza, não virar uma obrigação de mergulhar em sofrimento sem proteção.

Diário de emoções

Uma forma simples de treinar é fazer um diário de emoções. O manual de habilidades inclui fichas de tarefas como “Diário de emoções” e “Observando e descrevendo emoções”, dentro da parte de identificar, entender e nomear emoções.

Você pode criar uma versão simples:

  1. Situação: o que aconteceu?
  2. Emoção: que emoção apareceu?
  3. Intensidade: de 0 a 100.
  4. Corpo: onde senti?
  5. Pensamento: que frase passou pela mente?
  6. Impulso: o que tive vontade de fazer?
  7. Ação: o que fiz?
  8. Consequência: ajudou ou piorou?

Não precisa escrever muito. Uma linha por dia já pode ajudar. O objetivo é treinar o olhar. Com o tempo, você começa a perceber padrões: “minha raiva aparece depois de vergonha”, “minha ansiedade aumenta quando durmo pouco”, “meu medo de abandono surge em silêncio”, “minha tristeza cresce quando me isolo”.

Lista prática de perguntas para nomear emoções

Quando estiver confuso, use este roteiro:

  • O que aconteceu antes de eu sentir isso?
  • Que parte do meu corpo mudou?
  • Minha energia aumentou ou diminuiu?
  • Tenho vontade de atacar, fugir, esconder, chorar, reparar, controlar ou pedir ajuda?
  • Estou reagindo ao presente ou a uma lembrança antiga?
  • A emoção parece primária ou estou sentindo algo sobre outra emoção?
  • Que palavra simples descreve melhor isso?
  • Há mais de uma emoção?
  • Qual emoção está mais forte?
  • Qual habilidade seria mais útil agora?

Esse roteiro pode ser usado em poucos minutos. Com prática, a mente aprende a fazer essas distinções mais rapidamente.

Exemplos de nomeação mais clara

Situação: alguém não respondeu sua mensagem.

Nome vago: “estou mal”.

Nome mais claro: “estou com medo de ser ignorado, triste por sentir distância e com impulso de cobrar”.

Situação: você recebeu uma crítica.

Nome vago: “fiquei nervoso”.

Nome mais claro: “senti vergonha, ansiedade e vontade de me defender”.

Situação: alguém ultrapassou um limite.

Nome vago: “perdi a paciência”.

Nome mais claro: “senti raiva porque interpretei que meu limite não foi respeitado”.

Situação: você esqueceu algo importante.

Nome vago: “sou irresponsável”.

Nome mais claro: “senti culpa, vergonha e preocupação com a consequência”.

Situação: uma pessoa próxima saiu com outros amigos.

Nome vago: “fiquei irritado”.

Nome mais claro: “senti ciúme, medo de ser deixado de lado e vergonha por sentir isso”.

Note como a descrição mais clara abre mais possibilidades. Você pode verificar fatos, pedir apoio, reparar, colocar limite, usar ação oposta ou tolerar a emoção sem agir no impulso.

Validar a emoção depois de nomear

Nomear fica mais útil quando vem acompanhado de validação. Validar não é concordar com todos os pensamentos. É reconhecer que a emoção faz sentido em algum contexto.

“Faz sentido eu sentir medo, porque essa situação toca minha insegurança.”

“Faz sentido eu sentir raiva, porque percebi um limite sendo ultrapassado.”

“Faz sentido eu sentir vergonha, porque cometi um erro e me importo com o impacto.”

“Faz sentido eu sentir tristeza, porque perdi algo importante.”

Depois da validação, vem a escolha. “E agora, o que ajuda?”. Essa sequência é muito diferente de se julgar. Em vez de “sou ridículo por sentir isso”, você diz: “isso faz sentido, e posso responder com habilidade”.

Quando a emoção nomeada pede ação

Depois de nomear, pergunte se a emoção pede alguma ação útil.

Se é culpa por algo real, talvez peça reparação. Se é raiva por um limite real, talvez peça comunicação firme. Se é medo diante de perigo real, talvez peça proteção. Se é tristeza por perda, talvez peça cuidado e luto. Se é ansiedade diante de uma tarefa, talvez peça planejamento. Se é vergonha exagerada, talvez peça autovalidação e aproximação gradual.

Nomear emoções não é ficar parado. É escolher a resposta correta para o tipo de emoção. A DBT organiza justamente diferentes habilidades para diferentes necessidades: modificar emoções indesejadas, reduzir vulnerabilidade, manejar emoções extremas e entender o que a emoção está fazendo por você.

Prática de sete dias para nomear emoções

Você pode treinar por uma semana:

  1. Dia 1: três vezes no dia, pergunte “o que estou sentindo agora?” e escolha uma palavra.
  2. Dia 2: observe onde cada emoção aparece no corpo.
  3. Dia 3: observe o impulso de ação ligado à emoção.
  4. Dia 4: separe fato, pensamento, emoção e impulso em uma situação.
  5. Dia 5: identifique se há emoção primária e secundária.
  6. Dia 6: valide uma emoção com a frase “faz sentido que eu sinta isso porque…”
  7. Dia 7: escolha uma habilidade da DBT adequada para a emoção nomeada.

Essa prática é simples, mas poderosa. Ela ensina a mente a reconhecer padrões emocionais antes que eles virem comportamentos automáticos.

Nomear é um ato de cuidado

Nomear emoções com clareza é um ato de cuidado consigo mesmo. É parar de tratar a experiência interna como um inimigo confuso e começar a escutá-la com mais precisão. É dizer: “algo está acontecendo em mim, e eu posso aprender a entender”.

Isso não significa que todas as emoções serão agradáveis. Algumas continuarão difíceis. Mas, quando têm nome, ficam menos misteriosas. Quando ficam menos misteriosas, podem ser observadas. Quando podem ser observadas, você ganha chance de escolher.

A DBT ensina que emoções têm funções, que podem comunicar, motivar e alertar. O manual para terapeutas destaca que identificar essas funções, especialmente em emoções indesejáveis, é um primeiro passo importante rumo à mudança.

Nomear emoções é o início dessa mudança. Não é o fim. Depois de nomear, você ainda pode precisar verificar os fatos, usar ação oposta, resolver problemas, praticar aceitação, pedir apoio, cuidar do corpo ou atravessar uma crise. Mas o nome vem primeiro como uma luz acesa no quarto escuro.

“Estou mal” vira “estou triste”. “Estou triste” vira “estou triste porque senti perda”. “Senti perda” vira “preciso de cuidado e contato”. Esse caminho pode parecer pequeno, mas é nele que a liberdade emocional começa.

Quanto melhor você nomeia o que sente, menos precisa ser governado por aquilo que não entende. E, aos poucos, a emoção deixa de ser apenas uma tempestade e passa a ser uma mensagem que você pode escutar com mente sábia.

Continue aprendendo

Referências bibliográficas

  • Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
  • Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o paciente. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
  • Galen, Gillian; Aguirre, Blaise. DBT: Terapia Comportamental Dialética Para Leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2022.
  • Koerner, Kelly. Aplicando a Terapia Comportamental Dialética: um guia prático. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2020.
  • Van Dijk, Sheri. Não deixe as emoções comandarem sua vida: habilidades de DBT para adolescentes. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2025.

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