Em momentos de crise, a mente costuma ficar estreita. A emoção grita, o corpo pede alívio e o impulso parece uma ordem. A raiva diz: “responda agora”. O medo diz: “fuja agora”. A vergonha diz: “suma agora”. O ciúme diz: “cheque agora”. A culpa diz: “peça desculpas por tudo agora”. A tristeza diz: “desista agora”. Quando a emoção está muito intensa, pode parecer que só existem duas opções: agir no impulso ou continuar sofrendo. A habilidade de prós e contras, ensinada na Terapia Comportamental Dialética, a DBT, mostra que há uma terceira possibilidade: parar, olhar para as consequências e escolher com mais mente sábia.
Prós e contras é uma habilidade de tolerância ao mal-estar. Ela não serve apenas para decisões comuns do dia a dia. Dentro da DBT, ela é especialmente usada quando existe um impulso de crise: uma vontade muito forte de fazer algo que pode aliviar agora, mas piorar a vida depois. O manual de habilidades para pacientes explica que um impulso de ação se torna crise quando é muito forte e quando agir de acordo com ele vai piorar as coisas no longo prazo. A ficha orienta listar os prós e contras de agir conforme o impulso e também os prós e contras de resistir ao impulso, tolerando o mal-estar e usando habilidades.
Isso é importante porque, no pico da emoção, a mente costuma enxergar apenas o benefício imediato do comportamento impulsivo. “Se eu mandar essa mensagem, vou aliviar.” “Se eu beber, vou desligar.” “Se eu gritar, vou descarregar.” “Se eu desistir, não preciso sentir ansiedade.” “Se eu checar, vou ter certeza.” Pode até haver algum alívio imediato. A DBT não nega isso. O problema é que esse alívio pode custar caro: culpa, vergonha, conflito, perda de confiança, problemas de saúde, recaídas, afastamentos, prejuízos no trabalho, riscos físicos ou mais sofrimento.
Prós e contras ajuda a lembrar do depois. Ela traz o futuro para dentro da crise. Ela pergunta: “isso que parece solução agora vai construir a vida que eu quero viver?”.
O que são prós e contras na DBT?
Na linguagem comum, fazer prós e contras é listar vantagens e desvantagens de uma decisão. Na DBT, a habilidade é mais específica quando aplicada à tolerância ao mal-estar: você compara duas direções. De um lado, agir de acordo com o impulso de crise. Do outro, resistir ao impulso, tolerar o mal-estar e usar habilidades.
O manual para terapeutas explica que o objetivo final dessa habilidade é ajudar a pessoa a perceber que aceitar a realidade e tolerar o mal-estar costuma levar a melhores resultados do que rejeitar o que está acontecendo e recusar-se a tolerar o desconforto. A habilidade consiste em pensar nos aspectos positivos e negativos de agir e de não agir sob a influência dos impulsos de comportamento de crise.
Em outras palavras, não basta perguntar: “quais são os prós e contras de mandar essa mensagem?”. A DBT também pede: “quais são os prós e contras de não mandar agora e tolerar a vontade?”. Isso é essencial, porque resistir ao impulso também tem custo. Pode doer. Pode dar ansiedade. Pode parecer injusto. Pode exigir esforço. Se você ignora esse custo, a análise fica falsa. A mente emocional percebe a falsidade e rejeita a habilidade.
Uma boa análise reconhece os dois lados: agir no impulso pode aliviar agora e piorar depois; resistir ao impulso pode doer agora e proteger depois.
Por que essa habilidade funciona em crises?
Em crise, o reforço imediato fica muito forte. Isso significa que aquilo que alivia agora parece muito mais convincente do que aquilo que ajuda no futuro. O manual para terapeutas observa que o reforço imediato costuma ser muito mais poderoso do que o posterior; fazer prós e contras fortalece o poder do reforço posterior, ou seja, dos benefícios de resistir ao impulso, e enfraquece o poder do alívio imediato que pode ser destrutivo no longo prazo.
Isso explica por que é tão difícil escolher bem em emoção alta. Você pode saber racionalmente que gritar vai piorar a relação, mas, no momento, gritar parece justo. Pode saber que usar uma substância vai piorar amanhã, mas, no momento, anestesiar parece necessário. Pode saber que mandar dez mensagens vai gerar vergonha depois, mas, no momento, a espera parece insuportável.
Prós e contras não tenta vencer a emoção com sermão. Ela coloca as consequências diante dos olhos. Quando bem praticada, ajuda a mente sábia a entrar na conversa.
Use antes da crise, não apenas durante
Uma das orientações mais importantes da DBT é preparar a lista antes da crise. No auge da mente emocional, pode ser muito difícil lembrar razões para não agir impulsivamente. Por isso, a ficha do paciente orienta escrever os prós e contras antes que um impulso avassalador aconteça, levar a lista consigo, ensaiá-la várias vezes e, quando a crise chegar, revisar a lista repetidamente.
Isso faz muito sentido. Quando você está calmo, consegue pensar melhor. Consegue lembrar do que valoriza. Consegue ver consequências. Consegue escrever frases que a mente emocional esquecerá depois. A lista feita antes funciona como uma mensagem da sua mente sábia para sua mente em crise.
Imagine alguém que tem impulso de mandar mensagens agressivas quando se sente rejeitado. Em um momento calmo, essa pessoa pode escrever:
- Se eu mandar no impulso, talvez alivie por alguns minutos.
- Mas posso assustar a pessoa, gerar conflito, sentir vergonha e piorar meu medo de abandono.
- Se eu esperar, vou sentir ansiedade e vontade forte.
- Mas protejo a relação, mantenho autorrespeito e posso falar depois com mais clareza.
Quando a crise vier, essa lista pode ser lida em voz alta. Talvez a emoção não desapareça. Mas a chance de escolher melhor aumenta.
A tabela de quatro partes
A forma clássica da habilidade usa quatro quadrantes:
- Prós de agir de acordo com o impulso de crise.
- Contras de agir de acordo com o impulso de crise.
- Prós de resistir ao impulso e usar habilidades.
- Contras de resistir ao impulso e usar habilidades.
O manual para terapeutas enfatiza a importância de preencher os quatro quadrantes. Ele observa que muitas pessoas acham estranho escrever listas separadas, porque imaginam que os prós de resistir e os contras de agir serão a mesma coisa; na prática, só fazendo a análise completa é possível perceber diferenças importantes.
Essa estrutura impede que a mente emocional faça uma análise injusta. Se você lista apenas os prós de agir no impulso, vai ceder. Se lista apenas os contras, pode se sentir invalidado. Se lista apenas os benefícios de resistir, pode ignorar o sofrimento real de tolerar. A tabela completa reconhece toda a situação.
Curto prazo e longo prazo
A DBT insiste em uma distinção fundamental: consequências de curto prazo e consequências de longo prazo. O manual para terapeutas orienta considerar os dois tempos. Ele dá exemplos como beber em excesso, usar drogas ou gritar com alguém: essas ações podem trazer alívio imediato, mas também podem causar ressaca, interferência no trabalho ou danos ao relacionamento.
Essa distinção é o coração da habilidade. O impulso de crise quase sempre vende um benefício de curto prazo. A mente sábia pergunta pelo custo de longo prazo.
Perguntas úteis:
- O que acontece nos próximos cinco minutos se eu agir no impulso?
- O que acontece amanhã?
- O que acontece com minha saúde, meus vínculos, meu trabalho ou meu autorrespeito?
- O que acontece se eu resistir agora?
- O que posso ganhar no longo prazo tolerando esse desconforto?
- Quero apenas um alívio imediato ou quero proteger a vida que estou tentando construir?
A ficha de tarefas do paciente traz uma pergunta forte depois de separar consequências de curto e longo prazo: “você prefere ter um bom dia ou uma boa vida?”. Essa pergunta não significa que o dia atual não importa. Significa que, em momentos de crise, às vezes sacrificamos uma vida inteira por alguns minutos de alívio.
Prós e contras não serve para se culpar
Algumas pessoas usam essa habilidade como forma de se atacar: “olha como eu sou burro se fizer isso”, “eu sempre estrago tudo”, “não posso ter vontade disso”. Isso não é DBT. A habilidade deve ser feita com validação e honestidade. Se o impulso existe, ele tem alguma função. Ele talvez prometa alívio, controle, proteção, vingança, esquecimento, descanso ou fuga. Reconhecer isso não significa obedecer.
Um bom prós e contras começa reconhecendo a verdade parcial do impulso. “Sim, mandar a mensagem pode aliviar minha ansiedade por alguns minutos.” “Sim, gritar pode dar sensação de descarga.” “Sim, beber pode anestesiar a dor por um tempo.” “Sim, cancelar tudo pode reduzir medo agora.” Depois, vem a outra verdade: “e isso pode piorar minha vida depois”.
Essa postura é dialética. O impulso faz sentido em algum nível, e ainda assim talvez não seja efetivo.
Exemplo 1: mandar mensagem no impulso
Situação: alguém visualizou sua mensagem e não respondeu. Você sente medo e raiva. O impulso é mandar uma cobrança agressiva.
Prós de mandar agora
- Posso aliviar a ansiedade por alguns minutos.
- Posso sentir que estou fazendo algo.
- Posso descarregar minha raiva.
- Talvez a pessoa responda rapidamente.
Contras de mandar agora
- Posso piorar a relação.
- Posso sentir vergonha depois.
- Posso parecer acusatório sem ter todos os fatos.
- Posso aumentar meu medo de abandono se a pessoa se afastar.
- Posso transformar uma demora em conflito real.
Prós de resistir e usar habilidades
- Protejo a relação.
- Mantenho meu autorrespeito.
- Tenho tempo para verificar os fatos.
- Posso responder depois com mais clareza.
- Aprendo que consigo sentir medo sem agir no impulso.
Contras de resistir
- Vou sentir ansiedade.
- Posso achar injusto esperar.
- Vou ter vontade de checar o celular.
- Talvez eu precise tolerar incerteza por algumas horas.
A mente sábia pode concluir: “vou esperar vinte minutos, colocar o celular longe, usar distração saudável e depois decidir se preciso mandar uma mensagem clara e respeitosa”.
Exemplo 2: gritar em uma discussão
Situação: uma conversa está ficando tensa. Você sente raiva e quer gritar.
Prós de gritar
- Posso descarregar a tensão.
- Posso sentir que estou me defendendo.
- A outra pessoa talvez pare de falar por medo ou choque.
- Por alguns segundos, posso sentir poder.
Contras de gritar
- A conversa pode virar briga.
- A outra pessoa pode se fechar ou atacar de volta.
- Posso me arrepender do que disser.
- Posso perder credibilidade no meu pedido.
- Posso piorar a relação e aumentar culpa depois.
Prós de resistir ao impulso
- Consigo manter meu objetivo.
- Posso colocar limite sem agressão.
- Tenho mais chance de ser ouvido.
- Protejo meu autorrespeito.
- Evito uma consequência que depois terei que reparar.
Contras de resistir
- Vou sentir a raiva no corpo.
- Pode parecer que estou “engolindo” algo.
- Talvez precise pedir pausa e esperar.
- Posso não ter o alívio imediato da descarga.
Uma escolha habilidosa poderia ser usar STOP, pedir pausa e retomar com DEAR MAN ou outra habilidade de efetividade interpessoal.
Exemplo 3: usar substância para aliviar sofrimento
Situação: você está angustiado, sozinho e quer beber ou usar alguma substância para desligar a mente.
Prós de usar
- Alívio rápido.
- Sensação de desligar pensamentos.
- Menos dor por algumas horas.
- Distração imediata.
Contras de usar
- Piora do sono.
- Vergonha ou culpa depois.
- Risco de recaída ou perda de controle.
- Problemas de saúde.
- Mais vulnerabilidade emocional no dia seguinte.
- Possíveis conflitos, decisões ruins ou riscos físicos.
Prós de resistir e usar habilidades
- Protejo minha saúde.
- Aumento confiança de que posso atravessar a vontade.
- Amanhã acordo com menos consequências.
- Fortaleço meu compromisso com uma vida mais estável.
- Posso procurar apoio em vez de me isolar.
Contras de resistir
- A vontade pode ficar forte.
- Vou precisar sentir desconforto.
- Talvez precise ligar para alguém ou sair de perto do gatilho.
- O alívio não será tão imediato.
Em situações de uso de substâncias ou outros comportamentos aditivos, pode ser muito importante ter suporte profissional e um plano de segurança. Prós e contras ajuda, mas não precisa ser usada sozinha.
Exemplo 4: desistir de uma tarefa importante
Situação: você está ansioso com uma tarefa e quer desistir, cancelar ou evitar.
Prós de desistir agora
- Alívio imediato da ansiedade.
- Não preciso enfrentar medo de errar.
- Posso me distrair com outra coisa.
- Evito desconforto agora.
Contras de desistir agora
- A tarefa continua acumulando.
- Minha ansiedade pode crescer depois.
- Posso perder prazo, oportunidade ou confiança.
- Reforço a ideia de que não consigo.
- Posso sentir culpa e vergonha.
Prós de resistir e fazer um passo pequeno
- Reduzo a tarefa, mesmo que pouco.
- Construo maestria.
- Mostro a mim mesmo que consigo começar.
- Diminui a ansiedade no longo prazo.
- Protejo meus objetivos.
Contras de resistir
- Vou sentir desconforto.
- Talvez precise tolerar medo de errar.
- O progresso pode ser lento.
- Posso ficar frustrado por não resolver tudo de uma vez.
A mente sábia talvez escolha: “vou trabalhar só quinze minutos, sem exigir perfeição”. Isso já é resistir ao impulso de evitar.
Faça listas separadas para impulsos diferentes
Em uma crise, podem aparecer vários impulsos ao mesmo tempo. Por exemplo: usar substância, mandar mensagem, largar o emprego, terminar uma relação, se machucar, gastar dinheiro, sumir. A DBT orienta fazer listas separadas para cada impulso de crise. O manual para terapeutas explica que, se a pessoa está decidindo entre ações diferentes, como usar drogas, pedir divórcio ou largar o emprego, é importante considerar os prós e contras de cada ação separadamente, e também os prós e contras de não praticar cada uma delas.
Isso evita confusão. Cada impulso tem suas próprias consequências. O alívio de mandar mensagem não é o mesmo alívio de beber. O custo de largar o emprego não é o mesmo custo de discutir com alguém. Misturar tudo pode deixar a análise vaga demais.
Escolha um comportamento-alvo por vez. Pergunte: “qual impulso, se eu obedecer, pode piorar mais minha vida hoje?”. Comece por ele.
Como fazer a lista quando a emoção já está alta?
O ideal é fazer antes. Mas, se a crise já chegou e você ainda não tem lista, simplifique. Pegue papel, celular ou peça ajuda a alguém confiável. Escreva poucas palavras.
Use este formato rápido:
- Se eu fizer isso agora, ganho: alívio, descarga, controle, fuga.
- Se eu fizer isso agora, perco: relação, saúde, autorrespeito, segurança, estabilidade.
- Se eu resistir agora, ganho: proteção, tempo, orgulho, chance de resolver melhor.
- Se eu resistir agora, perco: alívio imediato, certeza, descarga, fuga.
Depois, leia em voz alta. Repita. O manual para terapeutas orienta revisar prós e contras anteriores quando surgirem emoções ou impulsos esmagadores; se a lista não estiver disponível, esse é o momento de anotá-la, embora possa ser difícil na mente emocional, podendo ser útil pedir apoio.
Em crise, simplicidade ajuda. A lista não precisa ser bonita. Precisa ser suficiente para criar uma pausa.
Por que resistimos a fazer prós e contras?
Muitas pessoas não querem fazer essa habilidade justamente quando mais precisam dela. Isso é compreensível. Uma parte da pessoa sabe que, se olhar honestamente para as consequências, talvez não consiga mais justificar o comportamento impulsivo. O impulso quer caminho livre.
O manual para terapeutas observa que pacientes podem resistir a fazer a análise porque ela atrapalha o caminho de uma atividade que oferece reforço imediato, mesmo que seja destrutiva no longo prazo.
Em linguagem simples: uma parte sua quer o alívio e não quer lembrar do preço. Por isso, fazer prós e contras é um ato de coragem. Você está escolhendo olhar para a realidade inteira, não apenas para a parte que promete alívio.
Uma frase útil é: “se eu não quero fazer a lista, talvez seja porque preciso muito dela agora”.
Prós e contras não decide por você
A habilidade não é uma máquina que dá a resposta certa. Ela organiza informações para que a mente sábia escolha. O manual para terapeutas recomenda que, em decisões difíceis, quem ajuda a pessoa não comunique preferência por um lado ou outro; a tarefa é desenvolver uma lista abrangente e confiar na mente sábia da pessoa no processo de decisão.
Isso importa porque a DBT não busca controlar você. Ela busca aumentar liberdade. Quando você vê consequências com clareza, a escolha fica mais consciente. Talvez ainda seja difícil. Talvez os dois lados tenham custos. Talvez você precise de apoio. Mas a decisão deixa de ser apenas impulso.
A mente sábia pergunta: “qual escolha me aproxima da vida que quero construir?”.
Use com comportamentos de evitar também
Muitas pessoas pensam em comportamento de crise apenas como fazer algo explosivo: gritar, usar substância, mandar mensagem, se machucar. Mas a ficha do paciente lembra que impulsos de crise também podem incluir ceder, desistir ou evitar fazer o que é necessário para construir a vida que você quer viver.
Isso é muito importante. Às vezes, o impulso problemático é não agir. Não ir à consulta. Não responder. Não estudar. Não pedir ajuda. Não colocar limite. Não sair da cama. Não enfrentar uma conversa. Não fazer uma tarefa importante. A evitação alivia agora e cobra depois.
Prós e contras pode ajudar assim:
- Prós de evitar: alívio imediato, menos medo agora, não enfrentar vergonha.
- Contras de evitar: problema cresce, autoestima cai, ansiedade aumenta, oportunidades diminuem.
- Prós de fazer o necessário: avanço, maestria, redução de problemas, respeito por si.
- Contras de fazer o necessário: desconforto, esforço, risco de frustração, exposição.
Às vezes, a escolha habilidosa não é segurar uma ação impulsiva, mas fazer uma ação necessária apesar do impulso de evitar.
Prós e contras e risco de vida
Se a crise envolve risco de suicídio, autoagressão, violência ou perda de controle, prós e contras deve vir junto de segurança imediata. O manual para terapeutas observa que, se uma pessoa parece decidida ou inclinada a cometer suicídio, é importante adotar estratégias de avaliação de risco suicida e manejo de crise.
Em termos práticos: não fique sozinho com risco iminente. Afaste meios de dano. Procure uma pessoa de confiança. Entre em contato com seu terapeuta, serviço de emergência ou apoio especializado. No Brasil, o CVV atende pelo telefone 188. Em risco imediato, procure emergência local.
Prós e contras pode ajudar a escolher vida e segurança, mas não substitui apoio quando a situação é perigosa.
Como guardar sua lista
A DBT recomenda manter a lista em um lugar acessível. A ficha de tarefas do paciente orienta guardar a lista se ela ajudou a escolher um comportamento habilidoso, para que possa ser encontrada e revisada quando houver crise.
Ideias:
- Salvar no bloco de notas do celular.
- Imprimir e deixar na carteira.
- Colar no espelho ou no armário.
- Mandar para si mesmo por e-mail.
- Deixar em uma pasta chamada “crise”.
- Compartilhar com uma pessoa de apoio.
- Usar como cartão de enfrentamento.
Quanto mais fácil acessar, maior a chance de usar. Em crise, não conte apenas com memória.
Um exercício simples
Escolha um impulso de crise que aparece com frequência. Pode ser mandar mensagens, gritar, usar substância, se isolar, evitar tarefas, gastar dinheiro, se machucar, desistir de algo importante ou procurar garantias repetidas.
Preencha:
- Comportamento-problema: qual impulso quero resistir?
- Prós de agir no impulso: que alívio ou benefício imediato ele traz?
- Contras de agir no impulso: que prejuízos vêm depois?
- Prós de resistir: que benefícios tenho se tolerar e usar habilidades?
- Contras de resistir: que desconfortos vou precisar suportar?
- Curto prazo: o que acontece hoje?
- Longo prazo: o que acontece com minha vida se eu repetir essa escolha?
- Mente sábia: qual escolha protege a vida que quero construir?
Depois, escolha uma frase final para sua crise: “vou tolerar os próximos dez minutos”, “não vou enviar agora”, “vou ligar para alguém”, “vou usar TIP primeiro”, “vou dormir e decidir amanhã”, “vou fazer uma ação pequena em vez de evitar”.
Uma prática de sete dias
Para treinar sem esperar a crise máxima:
- Dia 1: identifique um comportamento impulsivo ou evitativo que costuma piorar sua vida.
- Dia 2: escreva os prós de agir nesse impulso.
- Dia 3: escreva os contras de agir nesse impulso.
- Dia 4: escreva os prós de resistir e usar habilidades.
- Dia 5: escreva os contras de resistir, sem se invalidar.
- Dia 6: destaque consequências de curto e longo prazo.
- Dia 7: leia a lista em voz alta e guarde em um lugar acessível.
O treino antes da crise é o que torna a habilidade mais disponível quando a emoção vem forte.
Frases úteis para lembrar
- “Alívio imediato não é a mesma coisa que solução.”
- “Meu impulso tem prós, mas também tem preço.”
- “Resistir dói agora, mas pode proteger minha vida depois.”
- “Quero um bom minuto ou uma boa vida?”
- “Vou consultar minha lista antes de agir.”
- “Não preciso obedecer à urgência.”
- “Mente emocional vê o agora; mente sábia vê o caminho.”
- “Posso tolerar desconforto sem piorar a situação.”
Escolher melhor no momento mais difícil
Prós e contras é uma habilidade simples, mas profunda. Ela reconhece que impulsos de crise têm força porque oferecem algo. Alívio. Controle. Descarga. Fuga. Certeza. Mas também mostra que aquilo que alivia agora pode destruir depois. Ao escrever os quatro lados da decisão, você não está se forçando a ser perfeito. Está trazendo clareza para um momento em que a emoção quer apagar as consequências.
Essa habilidade também ensina autorrespeito. Em vez de tratar você como alguém incapaz de escolher, ela oferece informação para sua mente sábia. Você pode olhar para a situação inteira e decidir. Pode reconhecer que resistir será desconfortável e, ainda assim, escolher resistir. Pode reconhecer que agir no impulso seria gostoso por cinco minutos e, ainda assim, escolher proteger sua relação, sua saúde, sua liberdade, seu tratamento, seu trabalho ou sua vida.
Em crises, a pergunta mais importante nem sempre é “como paro de sentir isso?”. Muitas vezes é: “como evito piorar minha vida enquanto sinto isso?”. Prós e contras ajuda a responder. Ela lembra que a emoção passa, mas as consequências podem ficar. Ela convida a escolher não apenas pelo alívio de hoje, mas pela vida que você quer construir.
A mente emocional quer urgência. A mente sábia quer efetividade. Prós e contras é uma ponte entre as duas: reconhece a dor do momento e protege o futuro. E, cada vez que você usa essa ponte, fortalece a capacidade de atravessar crises com mais consciência, mais liberdade e mais cuidado consigo mesmo.
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Referências bibliográficas
- Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o paciente. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- Galen, Gillian; Aguirre, Blaise. DBT: Terapia Comportamental Dialética Para Leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2022.
- Koerner, Kelly. Aplicando a Terapia Comportamental Dialética: um guia prático. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2020.
- Van Dijk, Sheri. Não deixe as emoções comandarem sua vida: habilidades de DBT para adolescentes. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2025.
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DBT, terapia comportamental dialética, prós e contras, tolerância ao mal-estar, crise emocional, impulsos de crise, mente sábia, tomada de decisão, sobrevivência a crises, comportamento impulsivo, autocontrole emocional, regulação emocional, habilidades DBT, Marsha Linehan, saúde mental, prevenção de crise, mensagens impulsivas, raiva, medo, vergonha, ciúme, vida que vale a pena ser vivida, terapia baseada em evidências, equilíbrio emocional, autocuidado emocional