DEAR MAN é uma habilidade da DBT, a Terapia Comportamental Dialética, usada para pedir o que você precisa, dizer não, defender um ponto de vista, resistir à pressão e conduzir conversas difíceis com mais clareza. Ela faz parte das habilidades de efetividade interpessoal, um conjunto de práticas voltadas para melhorar a forma como nos relacionamos, pedimos, recusamos, negociamos e protegemos nossos limites.

Muitas pessoas sofrem não apenas porque têm necessidades, mas porque não sabem como expressá-las. Algumas esperam que os outros adivinhem. Outras falam por indiretas. Algumas acumulam incômodo até explodir. Outras dizem “sim” quando querem dizer “não”, por medo de rejeição, culpa ou conflito. Também há quem peça de um jeito tão agressivo que a outra pessoa fica na defensiva, mesmo quando o pedido é justo.

A habilidade DEAR MAN ajuda justamente nesse ponto. Ela oferece um roteiro simples para organizar uma conversa. Não é uma fórmula mágica para conseguir tudo que você quer. Ninguém controla a resposta do outro. Mas é uma forma de aumentar suas chances de ser compreendido, manter o foco, falar com respeito, proteger seu autorrespeito e não transformar uma necessidade legítima em uma briga.

No manual de habilidades da DBT, DEAR MAN é apresentado como uma estratégia para efetividade nos objetivos: pedir alguma coisa, dizer não, resistir à pressão e manter um ponto de vista. As letras lembram os passos: Descrever, Expressar, ser Assertivo, Reforçar, manter-se em Mindfulness, Aparentar confiança e Negociar.

O que significa DEAR MAN?

DEAR MAN é uma sigla em inglês usada na DBT para lembrar sete passos. Em português, podemos entender assim:

  • D — Descrever: fale dos fatos da situação, sem julgamento e sem exagero.
  • E — Expressar: diga como você se sente, o que pensa ou por que aquilo importa.
  • A — Assertivo: peça claramente o que quer ou diga não claramente.
  • R — Reforçar: mostre o benefício de atender ao pedido ou respeitar o limite.
  • M — Mindfulness: mantenha o foco no objetivo da conversa.
  • A — Aparentar confiança: use postura, tom e palavras que comuniquem firmeza.
  • N — Negociar: procure alternativas quando for possível, sem abandonar o que é essencial.

O manual para terapeutas explica que DEAR MAN é usado para conquistar uma meta específica em uma situação interpessoal. Ele pode ajudar a conseguir que os outros façam algo que você pede, dizer não a pedidos indesejados, resolver conflitos, defender direitos e fazer com que opiniões sejam levadas a sério.

Isso mostra que DEAR MAN não serve apenas para pedidos pequenos. Ele também pode ser usado em conversas importantes: pedir respeito, negociar tarefas, recusar um convite, falar com um chefe, conversar com um parceiro, estabelecer limites com familiares, pedir ajuda, combinar horários, defender uma necessidade ou encerrar uma conversa que está virando pressão.

Quando usar DEAR MAN?

Use DEAR MAN quando você tem um objetivo claro em uma conversa. Isso significa que você quer que algo específico aconteça. Talvez você queira que a pessoa faça algo, pare de fazer algo, aceite uma recusa, responda a uma pergunta, respeite um limite, negocie uma mudança ou leve sua opinião a sério.

Exemplos:

  • Pedir que alguém avise quando for se atrasar.
  • Pedir ajuda com uma tarefa.
  • Dizer não a um pedido que você não pode atender.
  • Negociar uma divisão mais justa de responsabilidades.
  • Pedir para conversar sem gritos ou insultos.
  • Falar com um chefe sobre prazo, carga de trabalho ou pagamento.
  • Pedir mais clareza em uma relação.
  • Manter uma decisão quando alguém continua pressionando.
  • Defender um limite com familiares.
  • Recusar dinheiro, favores ou compromissos que você não pode assumir.

Antes de usar a habilidade, vale fazer uma pergunta simples: “qual é meu objetivo principal nesta conversa?”. Se você não sabe o que quer, pode acabar falando muito, acusando, se justificando ou se perdendo em assuntos antigos. DEAR MAN funciona melhor quando existe uma meta clara.

Antes de começar: escolha sua prioridade

A DBT ensina que uma situação interpessoal geralmente envolve três prioridades: alcançar um objetivo, cuidar do relacionamento e manter o autorrespeito. DEAR MAN é especialmente útil quando o objetivo é prioridade, mas isso não significa ignorar as outras duas partes.

Por exemplo, imagine que você quer pedir a um colega que entregue a parte dele de um trabalho. Seu objetivo é receber a entrega. Mas talvez você também queira preservar uma relação profissional respeitosa. E talvez queira sair da conversa sem se sentir agressivo nem submisso. O pedido precisa ser claro, mas também pode ser feito com respeito.

O manual para terapeutas ensina que esclarecer prioridades é uma habilidade central: é preciso comparar a importância de conseguir o que se quer, manter um relacionamento positivo e manter o autorrespeito. As habilidades usadas dependem da importância relativa dessas metas.

Pergunte antes da conversa:

  • O que eu quero obter, recusar ou mudar?
  • Como quero que a relação fique depois dessa conversa?
  • Que atitude me ajudará a manter respeito por mim?
  • Qual dessas três coisas é mais importante agora?
  • O que posso negociar e o que não posso negociar?

Por que escrever antes ajuda?

Quando estamos emocionalmente ativados, é fácil sair do foco. Você começa querendo pedir uma coisa e, quando percebe, está falando de tudo que aconteceu nos últimos três anos. Ou começa querendo dizer não, mas se justifica tanto que acaba dizendo sim. Ou tenta ser gentil, mas usa um tom cheio de ressentimento. Escrever um pequeno roteiro antes ajuda a organizar a mente.

O livro DBT: Terapia Comportamental Dialética Para Leigos recomenda anotar o acrônimo DEAR MAN antes de pedir algo. Escrever ajuda a organizar o pedido, desacelerar a reação impulsiva, esclarecer o que você quer e manter o foco. O livro também lembra que, mesmo com um DEAR MAN bem feito, a resposta pode ser “não”; ainda assim, você pode sair sabendo que pediu de modo efetivo, regulado e com autorrespeito.

Esse ponto é muito importante: a habilidade não é medida apenas pelo resultado. Você pode fazer um pedido excelente e a pessoa não aceitar. Pode dizer não com respeito e a outra pessoa ficar frustrada. Pode negociar e ainda não haver acordo. O sucesso de DEAR MAN está em agir de forma clara, efetiva e alinhada aos seus valores, não em controlar o outro.

D de Descrever: comece pelos fatos

Descrever é falar do que aconteceu de forma objetiva. Isso significa tirar acusações, rótulos, exageros e leitura de mente. Em vez de começar com “você nunca me respeita”, comece com fatos que a outra pessoa possa reconhecer.

O manual para terapeutas orienta que, ao descrever, a pessoa deve começar brevemente pela situação, ater-se aos fatos, evitar declarações críticas e ser objetiva. Isso ajuda as duas partes a falarem da mesma situação e pode reduzir a defensividade.

Veja a diferença:

  • Julgamento: “Você é irresponsável.”
  • Descrição: “O relatório combinado para ontem ainda não foi enviado.”
  • Julgamento: “Você não liga para mim.”
  • Descrição: “Nas últimas duas vezes em que combinamos conversar, você cancelou no mesmo dia.”
  • Julgamento: “Você sempre me deixa na mão.”
  • Descrição: “Esta semana, eu fiquei responsável pelas compras, pela louça e pela limpeza da cozinha.”

Descrever não significa esconder o problema. Significa começar por uma base mais limpa. Quando você começa atacando a identidade da outra pessoa, ela tende a se defender. Quando começa pelos fatos, aumenta a chance de conversa.

E de Expressar: diga o que acontece com você

Depois de descrever os fatos, expresse como aquilo afeta você. Muitas pessoas pulam essa parte e esperam que o outro adivinhe. Outras expressam de forma acusatória, como “você me faz sentir péssimo”. Em DEAR MAN, expressar é dizer sua experiência com clareza, sem transformar emoção em ataque.

Exemplos:

  • “Eu me sinto sobrecarregado quando a tarefa fica só comigo.”
  • “Eu fico ansioso quando não sei se o plano mudou.”
  • “Eu me senti magoado com aquele comentário.”
  • “Para mim, é importante ter previsibilidade.”
  • “Eu preciso de mais clareza sobre o prazo.”
  • “Eu não me sinto confortável em emprestar dinheiro agora.”

Expressar não precisa ser longo. Na verdade, quanto mais emocional estiver a conversa, mais útil pode ser uma expressão simples e direta. Você não precisa provar que merece sentir o que sente. Também não precisa despejar toda a emoção de uma vez. A meta é ajudar a outra pessoa a entender por que o pedido importa.

A de Assertivo: peça claramente ou diga não claramente

Ser assertivo é dizer o que você quer de forma clara. Esse é o coração do DEAR MAN. Muitas conversas falham porque a pessoa descreve, desabafa, reclama, dá pistas, mas não faz um pedido específico. O outro pode até perceber que algo está errado, mas não sabe exatamente o que fazer.

Exemplos de pedidos claros:

  • “Você pode me avisar até sexta se vai participar?”
  • “Quero que você lave a louça nas terças e quintas.”
  • “Você pode falar comigo sem levantar a voz?”
  • “Preciso que o relatório seja enviado até 17h.”
  • “Você pode me ajudar com essa tarefa por trinta minutos?”
  • “Quero conversar sobre isso hoje por vinte minutos.”

Exemplos de recusas claras:

  • “Não posso assumir essa tarefa esta semana.”
  • “Não vou emprestar dinheiro agora.”
  • “Não quero continuar essa conversa se houver insultos.”
  • “Não posso ir ao evento.”
  • “Não vou responder mensagens de trabalho depois das 22h.”

Ser assertivo não é ser agressivo. Agressividade tenta dominar, humilhar ou vencer. Assertividade comunica uma necessidade, um pedido ou um limite. Uma pessoa assertiva pode falar com calma. Pode ser gentil. Pode validar. Mas não deixa o ponto principal desaparecer.

R de Reforçar: mostre o benefício

Reforçar significa mostrar por que atender ao pedido, respeitar o limite ou aceitar a negociação pode ser útil. Essa parte ajuda a outra pessoa a ver uma razão para colaborar. Não é manipular. É tornar visível o benefício da mudança.

Exemplos:

  • “Se combinarmos os horários antes, evitamos confusão no dia.”
  • “Se você me avisar quando se atrasar, eu fico menos ansioso e não preciso mandar várias mensagens.”
  • “Se dividirmos a tarefa, consigo fazer minha parte melhor e a entrega fica mais organizada.”
  • “Se conversarmos sem gritos, tenho mais chance de ouvir o que você está dizendo.”
  • “Se você respeitar esse limite, eu vou me sentir mais seguro para continuar próximo.”
  • “Se eu disser não agora, consigo cumprir melhor os compromissos que já assumi.”

Um reforço fraco seria apenas: “porque eu quero”. Isso pode ser verdadeiro, mas talvez não ajude a outra pessoa a entender o valor do pedido. Um reforço mais efetivo mostra um ganho concreto: menos conflito, mais confiança, melhor organização, mais respeito, menos ressentimento, mais clareza.

M de Mindfulness: mantenha o foco

Em conversas difíceis, é comum sair do assunto. A outra pessoa pode mudar de tema. Você pode se defender de algo antigo. Pode começar a explicar demais. Pode entrar em acusações. Pode abandonar o pedido porque ficou com vergonha. Mindfulness, aqui, significa voltar ao objetivo.

DBT Para Leigos descreve essa parte como manter-se focado no pedido. Se a conversa se desviar, a pessoa deve voltar ao ponto principal. A DBT chama isso de “disco arranhado”: repetir o pedido sem entrar em todos os desvios.

Exemplo:

Você diz: “Preciso que você me avise quando for se atrasar.”

A pessoa responde: “Mas você também já se atrasou antes.”

Resposta com mindfulness: “Podemos falar dos meus atrasos depois. Agora estou pedindo que, quando você souber que vai se atrasar, me avise.”

A pessoa diz: “Você exagera.”

Resposta com mindfulness: “Entendo que você veja assim. Ainda estou pedindo um aviso quando houver atraso.”

Manter o foco não significa ignorar tudo que a outra pessoa diz. Significa não deixar a conversa fugir antes que o pedido principal tenha sido respondido.

A de Aparentar confiança: comunique firmeza

Aparentar confiança não significa sentir confiança total. Significa se comportar de forma que sua mensagem seja clara. Muitas pessoas têm pedidos legítimos, mas falam com tanta insegurança que enfraquecem a própria mensagem. Outras se desculpam demais, riem de nervoso, diminuem o pedido ou falam como se estivessem erradas por precisar de algo.

Aparentar confiança pode incluir:

  • Falar em tom audível.
  • Usar frases curtas.
  • Evitar pedir desculpas por ter uma necessidade legítima.
  • Manter postura estável.
  • Respirar antes de responder.
  • Não transformar o pedido em uma longa justificativa.
  • Olhar para a pessoa, quando isso for adequado e seguro.
  • Falar com firmeza, sem agressividade.

Se você estiver nervoso, pode reconhecer isso sem abandonar o pedido: “Estou um pouco ansioso falando disso, mas é importante para mim”. Essa frase é honesta e ainda mantém firmeza.

N de Negociar: busque alternativas possíveis

Negociar é procurar uma alternativa quando for possível. Às vezes, a pessoa não pode dizer sim exatamente ao seu pedido, mas pode aceitar outra opção. Talvez o prazo mude. Talvez a quantidade mude. Talvez outra pessoa ajude. Talvez o pedido seja dividido em partes. Talvez a conversa precise ser retomada depois.

O manual para terapeutas explica que negociar ou “passar a bola” é útil quando pedidos ou recusas comuns não estão funcionando. Perguntas como “o que podemos fazer aqui?” ou “como podemos solucionar esse problema?” ajudam a abrir alternativas.

Exemplos:

  • “Se você não consegue fazer hoje, consegue até sexta?”
  • “Se três dias é muito, podemos começar com um dia?”
  • “O que seria possível para você?”
  • “Eu não posso assumir tudo, mas posso ajudar por trinta minutos.”
  • “Não posso emprestar dinheiro, mas posso ajudar você a pensar em opções.”
  • “Se não podemos conversar agora, que horário funciona?”

Negociar não significa abandonar o que é essencial. Alguns limites não devem ser negociados, especialmente quando envolvem segurança, valores importantes ou respeito básico. Você pode negociar horário, forma, quantidade ou prazo. Mas não precisa negociar sua dignidade.

Exemplo completo: pedir divisão de tarefas

Imagine que você mora com alguém e sente que está ficando com quase todas as tarefas da casa. Você quer pedir uma divisão mais clara.

D — Descrever: “Nas últimas duas semanas, eu lavei a louça quase todos os dias e também limpei a cozinha no fim de semana.”

E — Expressar: “Estou me sentindo sobrecarregado e ficando irritado, porque preciso de mais divisão.”

A — Assertivo: “Quero que a gente combine dias fixos. Você pode ficar com a louça nas segundas, quartas e sextas?”

R — Reforçar: “Se dividirmos assim, eu fico menos ressentido e a casa fica mais organizada para nós dois.”

M — Mindfulness: se a pessoa disser “mas você também deixa roupa espalhada”, responder: “Podemos falar da roupa depois. Agora estou falando da louça e da cozinha.”

A — Aparentar confiança: falar em tom calmo, sem pedir desculpas por tocar no assunto.

N — Negociar: “Se esses dias não funcionam, quais três dias você consegue assumir?”

Exemplo completo: dizer não a um familiar

Imagine que um familiar pede dinheiro emprestado, mas você não pode emprestar.

D — Descrever: “Você me pediu R$ 500 emprestados até o mês que vem.”

E — Expressar: “Eu entendo que você esteja apertado, mas eu também estou organizando minhas contas.”

A — Assertivo: “Não vou conseguir emprestar esse dinheiro.”

R — Reforçar: “Sendo claro agora, evito prometer algo que eu não posso cumprir e isso protege nossa relação.”

M — Mindfulness: se houver insistência, repetir: “Eu sei que você precisa, e ainda assim não posso emprestar.”

A — Aparentar confiança: falar com firmeza, sem se explicar por vinte minutos e sem mudar para “talvez” se a resposta real é “não”.

N — Negociar: “Posso ajudar você a pensar em outra alternativa, mas não posso emprestar dinheiro.”

Exemplo completo: pedir respeito em uma conversa

Imagine que uma conversa começou a subir de tom. A outra pessoa levantou a voz e usou insultos. Você quer continuar conversando, mas não desse jeito.

D — Descrever: “Agora você levantou a voz e me chamou de irresponsável.”

E — Expressar: “Quando a conversa fica assim, eu fico tenso e tenho dificuldade de ouvir.”

A — Assertivo: “Quero continuar falando, mas preciso que a gente converse sem insultos.”

R — Reforçar: “Se falarmos com mais calma, tenho mais chance de entender seu ponto e responder melhor.”

M — Mindfulness: se vier outro ataque, repetir: “Eu quero falar sobre o problema, mas sem insultos.”

A — Aparentar confiança: manter voz firme e não entrar no mesmo tom agressivo.

N — Negociar: “Se agora estiver difícil, podemos pausar por vinte minutos e retomar.”

Quando a outra pessoa continua insistindo

Às vezes, a outra pessoa continua pedindo mesmo depois de ouvir “não”. Ou continua recusando um pedido razoável. Ou muda de assunto repetidamente. Nesses casos, a DBT ensina que DEAR MAN pode ser aplicado à interação atual: você descreve o que está acontecendo na conversa, expressa seu desconforto, pede uma mudança e reforça a interrupção do padrão.

O manual para terapeutas explica que, quando o “disco riscado” e ignorar desvios não funcionam, pode ser útil descrever a interação atual sem supor os motivos do outro, expressar desconforto, pedir educadamente para parar ou adiar a conversa e reforçar a interrupção quando não houver mudança.

Exemplo:

“Eu já respondi três vezes que não posso fazer isso, e percebo que estamos voltando ao mesmo pedido. Estou ficando desconfortável e não quero que a conversa vire pressão. Quero encerrar esse assunto por agora. Podemos falar de outra coisa ou retomar em outro momento.”

Essa forma de falar não acusa a pessoa de manipular. Ela descreve o que está acontecendo e coloca um limite na conversa.

Erros comuns ao usar DEAR MAN

Alguns erros fazem a habilidade perder força:

  • Começar com acusação: “você nunca”, “você sempre”, “você não presta atenção em nada”.
  • Não fazer pedido claro: falar da dor, mas não dizer o que quer.
  • Pedir desculpas demais: enfraquecer uma necessidade legítima.
  • Trazer muitos assuntos antigos: transformar o pedido atual em julgamento geral.
  • Usar reforço como ameaça: “se você não fizer, vai se arrepender”.
  • Confundir assertividade com agressividade: falar de forma dura demais e chamar isso de sinceridade.
  • Negociar o que não deve ser negociado: abrir mão de segurança, dignidade ou valores centrais.
  • Medir sucesso apenas pelo “sim”: esquecer que a habilidade também preserva clareza, relação e autorrespeito.

DEAR MAN melhora com treino. O manual para terapeutas enfatiza que o ensaio comportamental é essencial no treinamento de habilidades interpessoais, tanto nas sessões quanto entre elas. Também sugere praticar ativamente em situações pequenas do cotidiano.

Como praticar em situações pequenas

Comece com pedidos simples. Não espere a conversa mais difícil da sua vida para usar DEAR MAN pela primeira vez. Pratique com situações de baixo risco, para que a habilidade fique mais natural.

Ideias:

  • Pedir uma informação em uma loja.
  • Perguntar sobre uma cobrança.
  • Pedir uma alteração simples em um pedido de comida.
  • Convidar alguém para um café.
  • Dizer não a um compromisso pequeno.
  • Pedir que alguém confirme um horário.
  • Pedir ajuda para encontrar algo.
  • Pedir alguns minutos de silêncio.

Quanto mais você pratica em situações comuns, maior a chance de lembrar em situações emocionais. A habilidade deixa de ser apenas uma ideia e começa a virar comportamento.

Um roteiro simples para preencher

Meu DEAR MAN

Objetivo principal: o que eu quero pedir, recusar ou defender?

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Relacionamento: como quero cuidar da relação?

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Autorrespeito: que valor ou limite quero manter?

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D — Descrever: quais são os fatos?

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E — Expressar: o que sinto, penso ou preciso?

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A — Assertivo: qual é meu pedido ou meu não?

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R — Reforçar: por que isso pode ajudar?

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M — Mindfulness: que frase vou repetir se houver desvio?

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A — Aparentar confiança: como vou cuidar do tom, postura e clareza?

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N — Negociar: que alternativa posso oferecer, se for apropriado?

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Uma prática de sete dias

Para treinar DEAR MAN, use uma semana de prática:

  1. Dia 1: escolha um pedido ou limite pequeno e escreva o objetivo principal.
  2. Dia 2: descreva apenas os fatos da situação, sem julgamento.
  3. Dia 3: escreva como você se sente ou o que precisa expressar.
  4. Dia 4: transforme sua necessidade em um pedido claro ou em um “não” claro.
  5. Dia 5: pense em um reforço: como atender ao pedido pode ajudar você, a outra pessoa ou a relação?
  6. Dia 6: ensaie manter o foco se a conversa desviar.
  7. Dia 7: pratique um DEAR MAN pequeno em uma situação real e observe o resultado.

Ao final, avalie: eu fui claro? Mantive o foco? Falei com respeito? Preservei meu autorrespeito? O que posso ajustar na próxima vez?

Frases úteis para DEAR MAN

  • “Quero falar sobre uma situação específica.”
  • “Quando isso acontece, eu me sinto…”
  • “O que eu gostaria de pedir é…”
  • “Minha resposta é não.”
  • “Eu entendo seu ponto, e ainda assim meu pedido continua sendo…”
  • “Podemos falar de outros assuntos depois; agora quero voltar a este ponto.”
  • “Se fizermos assim, acho que a situação fica melhor para nós dois.”
  • “O que seria possível para você?”
  • “Posso negociar o prazo, mas não posso assumir tudo.”
  • “Quero conversar com respeito e clareza.”

Como saber se você foi efetivo?

Depois da conversa, não avalie apenas se recebeu um “sim”. Avalie seu comportamento. A outra pessoa pode não concordar, mas você ainda pode ter sido efetivo.

  • Eu descrevi os fatos sem atacar?
  • Eu expressei minha necessidade com clareza?
  • Eu pedi ou recusei de forma direta?
  • Eu mantive o foco quando a conversa desviou?
  • Eu cuidei do tom e da postura?
  • Eu negociei quando era apropriado?
  • Eu mantive meu autorrespeito?
  • Eu evitei piorar a relação desnecessariamente?

O manual do paciente inclui fichas de tarefas para escrever roteiros de efetividade interpessoal e rastrear o uso das habilidades, observando prioridades, efeitos no relacionamento e efeitos no autorrespeito.Essa forma de avaliar ajuda a perceber que o resultado externo não é a única medida de sucesso.

DEAR MAN não substitui segurança

DEAR MAN é uma habilidade de comunicação. Ela não deve ser usada sozinha quando há violência, ameaça, abuso, coerção grave ou risco físico. Nesses casos, segurança vem primeiro. Talvez não seja seguro tentar convencer a outra pessoa a ouvir. Talvez o mais efetivo seja se afastar, procurar apoio, criar um plano de segurança ou buscar ajuda especializada.

Também é importante observar a intensidade emocional. Se você está em raiva 95, pânico, vergonha extrema ou desespero, talvez precise usar STOP, TIP, respiração, pausa, autoacalmar-se ou apoio antes de tentar uma conversa. DEAR MAN funciona melhor quando existe algum acesso à mente sábia.

Clareza também é cuidado

Algumas pessoas acham que ser claro é ser duro. Mas a falta de clareza também machuca. Quando você não diz o que precisa, a outra pessoa precisa adivinhar. Quando diz sim querendo dizer não, o ressentimento cresce. Quando evita toda conversa difícil, problemas pequenos viram grandes. Quando usa indiretas, a relação vira um teste constante.

Clareza não precisa ser agressiva. Clareza pode ser uma forma de cuidado. Ela dá ao outro a chance de entender. Dá a você a chance de se posicionar sem explodir. Dá à relação a chance de lidar com fatos, não com suposições.

DEAR MAN ensina que você pode pedir sem atacar, dizer não sem humilhar, manter foco sem ser frio e negociar sem se perder. Você pode ser firme e gentil ao mesmo tempo. Pode reconhecer a outra pessoa sem abandonar sua necessidade. Pode ouvir um “não” e ainda manter dignidade.

No fundo, essa habilidade ajuda a sair de extremos: nem agressão, nem submissão; nem silêncio absoluto, nem explosão; nem controle do outro, nem abandono de si. Ela convida a uma comunicação mais madura: “eu importo, você importa, e a forma como falamos também importa”.

Pedir com clareza não garante que você receberá tudo. Mas aumenta a chance de construir relações mais honestas. E, mesmo quando a resposta não é a que você queria, você pode sair sabendo: “eu falei com respeito, fui claro e não me abandonei”.

Continue aprendendo

Referências bibliográficas

  • Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o paciente. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
  • Linehan, Marsha M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. :
  • Galen, Gillian; Aguirre, Blaise. DBT: Terapia Comportamental Dialética Para Leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2022.
  • Koerner, Kelly. Aplicando a Terapia Comportamental Dialética: um guia prático. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2020.
  • Van Dijk, Sheri. Não deixe as emoções comandarem sua vida: habilidades de DBT para adolescentes. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2025.

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